3 de julho de 2010

Tópicos tangentes à Copa do Mundo - Parte 1

Com o intuito de falar tudo o que eu gostaria de falar sobre futebol e esportes em geral, vou derrubar um post em duas partes abordando todos os pequenos comentários que me surgiram nesse período de pausa para a Copa. A Copa do Mundo é um evento interessante, assim como o futebol em si é algo interessante não apenas pela intensidade da competição esportiva, mas pela possibilidade de estudos sociológicos que se abrem através dele. Não vou ser um esnobe hipócrita aqui e dizer que eu me interesso por futebol apenas pelo significado intelectual que ele pode ter. Eu realmente gosto de futebol, mas gente comentando futebol e fazendo análise dos jogos da Copa já tem muita por aí. Eu prefiro analisar os efeitos colaterais.

A Copa desperta uma infinidade de comentários. Eu falei antes que não seria esnobe porque um deles é o esnobismo com que muita gente condena o futebol. O Juca Chaves conta uma anedota mais ou menos assim:
Uma vez eu me cansei de falar com gente ignorante, pensei: só vou conversar com gente com QI alto. Fui numa festa, cheguei perto de um sujeito e perguntei: "Qual é o seu QI"? "150", ele me disse. Eu falei: "Bom, podemos falar sobre física quântica, sobre astronomia..." Cheguei pra outro, e perguntei a mesma coisa. "180", ele me disse. Eu disse: "Ótimo, podemos falar sobre cálculo infitesimal..." Cheguei pra um terceiro, perguntei: "Qual é o seu QI"? Ele me disse "30". "30?", eu perguntei. "30", ele me disse. "E ai, meu, como vai o Timão?".
 Eu gosto da piada, mas ela guarda em si um preconceito imenso contra os fãs de futebol. É claro que não é necessário ser nenhum gênio para se assistir a futebol, ou para se jogar futebol, ou mesmo para treinar um time (oi, Dunga!), mas isso não quer dizer que o futebol requeira menos inteligência para se assistir, jogar ou analisar que qualquer outro esporte. É inegável que, sendo o futebol o esporte mais popular do mundo, haja mais gente pobre e ignorante assistindo ao futebol que assistindo a uma partida de tênis, mas isso é muito mais uma questão de falta de acessibilidade que de falta de qualificação. É o velho elitismo do sujeito que estudou nas melhores escolas chamando de ignorante o cara que só pôde ir pra escola pública, quando muito.

Comentário padrão sobre a Copa #2: Brasileiro só é patriota na Copa do Mundo. Isso é besteira. Brasileiro é patriota na Copa América também. Piada à parte, esse é um comentário bastante injusto, pois considero o brasileiro um povo tão patriota como qualquer outro. O problema é que patriotismo é um conceito muito subjetivo, que envolve bem mais que colocar a mão no peito pra cantar o hino e desfilar no 7 de setembro. Os brasileiros gostam quando veem outro brasileiro ganhar uma competição esportiva, um prêmio, um reconhecimento internacional. Quem não lembra da torcida pela canonização do Frei Galvão, que muita gente nem sabia quem era, mas queria só pra ter um santo brasileiro? De modo geral, os brasileiros gostam do Brasil e se orgulham do país. Os brasileiros só não gostam muito dos brasileiros. A nossa auto-estima como povo sempre foi muito baixa, e embora tenha melhorado nos últimos anos, ainda permanece a idéia xenófila de que os estrangeiros é que sabem das coisas, que "lá fora" se faz coisa muito melhor, etc. Como dizem os Titãs: "um idiota em inglês, se é idiota, é bem menos que nós".

Falando em "cantar o hino"... eu sei que não sou só eu que acho o hino nacional comprido demais. Embora eu não aprecie o tom marcial que a música tem, eu jamais ousaria mudar um símbolo nacional. Tradição é tradição. Mas é extremamente irritante ver, não apenas na Copa, mas em qualquer competição esportiva, o hino sendo cortado ao meio, mutilado, e sempre num ponto diferente. Às vezes, pula-se um pedaço da música para chegar logo ao final, e quem está cantando junto fica perdido. Ao contrário do que muita gente pensa, o nosso hino não é o único a ser executado apenas em parte. Por exemplo, God Save the Queen, o hino britânico, tem apenas a primeira estrofe executada. No geral, os outros hinos, cortados ou não, tem a duração aproximada de um minuto. O hino brasileiro, completo, tem três e meio (mas nada como o hino uruguaio, com 6 minutos de duração, esse também é cortado), e só a introdução, antes de começar a letra, tem quase 30 segundos. O que eu estou tentando dizer aqui é que, se não há jeito a não ser o corte, porque não criar um "Hino Olímpico Brasileiro",  mais curto, e específico para ser usado em cerimoniais esportivos? Ou então, mais simples ainda, criar uma versão resumida oficial, pulando a introdução, começando direto onde a letra começa e indo até o fim da primeira parte? Essa versão teria em torno de 1:20min. Acho melhor cortar a introdução que parar a letra no meio.

CONTINUA

2 comentários:

fabi disse...

Eh incrivel como voce muda de assunto rapido... de patriotismo pra hino cortado... no post dois, acho que voce vai estar falando de viagens para a Lua.
hehe x

Diogo de Lima disse...

Eu falei que era uma coletânea de comentários... eles não são necessariamente relacionados entre si.
Cheers!

 
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