23 de julho de 2010

Aconteceu hoje

Ontem à noite, eu e meu irmão mais novo jogando "qual é a música". Regra: escolha uma palavra qualquer, e cada um fala uma música com aquela palavra. O primeiro que não lembrar perde. Paramos ontem à noite, empatados em duas músicas pra cada com a palavra "lobisomem". Hoje, ao meio dia, vem o Juca me dizer:

- Lembrei de outra música com "lobisomem". É uma do Trem da Alegria... assim: ô, ô, ô, ó o lobisomem...
- "Ô, ô, ô lobisomem", Juca? Você tá inventando!
- Não, é sério, é do Trem da Alegria!
- Deixa de ser mentiroso, Juca! E quem é Trem da Alegria?
- Ah, são uns meninos que cantam, antigão...
- Você tá inventando, Juca.
- Quer apostar o que?
- Não quero apostar nada, ou vc tá inventando ou pesquisou na internet.
- Que pesquisei o que...
- Deixa de ser ladrão, Juca.
- Vamos ver no google se a música existe ou não, então.

Vamos ao computador. O Juca digita "o lobisomem trem da alegria". Aparece a tal música, "O Lobisomem".

- Juca, você já tinha pesquisado.
- Não tinha, não!
- Você digitou "o lobisomem" e a música se chama "O Lobisomem". Se você não soubesse o nome da música de antemão, teria digitado só "lobisomem", sem o "o".
- Não, é que eu lembrava que a música era "O, o, o, o, lobisomem"... Olha aqui. (Ele digita "o o o o lobisomem" no google. Sai o mesmo resultado) Viu só?
- Hum, tá bom... então eu perdi. 
- Hunf!
- Já que estamos aqui, vamos ver se tem mais alguma música com "lobisomem" que a gente não lembrou. (Digito "lobisomem" no site de letras de músicas). "Legião Urbana, Eu era um lobisomem juvenil"... essa não vale, não fala nada de lobisomem na letra...
- É.
- Como assim, "é"? Você não conhece essa música!
- Droga, me entreguei!
- Você já tinha pesquisado antes, seu ladrão!

Essas crianças não tem mais respeito por nada!

Arché

Hoje me lembrei de uma expressão/conceito que aprendi nas aulas de história da arte, e que uso esporadicamente, a arché. Como já faz tempo que aprendi, resolvi revisar o conceito pra saber direito o que significa, já que eu aprendi ele num contexto muito específico. Basicamente, a arché é um princípio subjacente a todas as coisas, a substância da qual todas as coisas são formadas. Mas não é pra falar disso que eu estou criando esse post. Foi só pra reportar esse trecho incrível de Diógenes de Apolônia, (não confundir com o Diógenes de Sínope, aquele do barril) que encontrei na wikipedia enquanto pesquisava:
"[..] Todas as coisas são diferenciações de uma mesma coisa e são a mesma coisa. E isto é evidente. Porque se as coisas que são agora neste mundo - terra, água ar e fogo e as outras coisas que se manifestam neste mundo -, se alguma destas coisas fosse diferente de qualquer outra, diferente em sua natureza própria e se não permanecesse a mesma coisa em suas muitas mudanças e diferenciações, então não poderiam as coisas, de nenhuma maneira, misturar-se umas as outras, nem fazer bem ou mal umas as outras, nem a planta poderia brotar da terra, nem um animal ou qualquer outra coisa vir a existência, se todas as coisas não fossem compostas de modo a serem as mesmas. Todas as coisas nascem, através de diferenciações, de uma mesma coisa, ora em uma forma, ora em outra, retomando sempre a mesma coisa."
Uma forma belíssima de expressar algo que Lavoisier só conseguiria transformar em ciência depois mais de dois mil anos.

20 de julho de 2010

Playlist #5 - Tokyo Ska Paradise Orchestra

Sabe quando você gosta de um determinado artista, banda ou estilo musical, mas não precisa de mais que um disco pra satisfazer esse gosto? Por exemplo, eu gosto de música country americana (é claro, não gosto de tudo, mas de modo geral eu aprecio o estilo), mas a única coisa que tenho no estilo é um disco duplo do Johnny Cash e isso me basta. Com ska é a mesma coisa. Eu acho um estilo excelente, com uma sonoridade muito forte e característica, e - o mais importante - me deixa feliz quando eu escuto. Mas não é sempre que eu tenho vontade de ouvir, então uma banda consegue satisfazer todas as minhas necessidades de ska. Desnecessário dizer, mas eu considero a Tokyo Ska Paradise Orchestra a melhor banda de ska que eu conheço, especialmente por fazer uma mescla e transitar bem por outros estilos, como o soul, o funk, o jazz e a bossa nova. Como essa semana eu fui a um show da banda de ska Megafônicos, daqui de Uberlândia (recomendo a todos), lembrei que há tempos estou planejando uma playlist da TSPO.  Escolhidas entre os mais de 20 anos de carreira da banda japonesa, aí vai uma seleção de músicas capazes de animar até velório.

As melhores da TSPO

01 - Pandora Times
02 - Sesame Street
03 - Lupin III
04 - Tiny Elephant Parade
05 - Ska Pedalada
06 - Come on
07 - Hit The Road Jack
08 - Watch That Man
09 - Guts for Saxofone
10 - Abracadabra
11 - Doki Doki Time
12 - Out-of-the-way
13 - Tin Tin Deo
14 - Just a Little Bit of Your Soul
15 - Better Days Are Gonna Come

É só clicar no player abaixo pra conferir.


13 de julho de 2010

Em homenagem ao dia do rock

Encontre o não-roqueiro nos Trending Topics do Twitter:


Difícil...

12 de julho de 2010

Top de Qualquer Dia - Os maiores furos da Copa

Não vou esperar até quinta para liberar esse top... a Copa já morreu e até quinta estará enterrada como assunto de discussão. Então estou adiantando a postagem e trazendo enquanto estão frescas as bobagens ditas na copa pelos narradores e comentaristas da TV. Desde os trocadilhos infames da dupla Milton Leite e Maurício Noriega, do SporTV, às informações de duvidosa relevância dos comentaristas da Globo, aí estão as 10 maiores besteiras e enganos cometidos na transmissão da Copa.

#10 - Jogo Alemanha x Inglaterra, oitavas de final. O atacante Klose volta a jogar após ser expulso e cumprir supensão. O narrador (não anotei quem) sai com essa: "Estão tentando mandar a bola para o Klose que gosta de fazer gol em Copa do Mundo..." E eu me pergunto: que jogador não gosta de fazer gol em Copa?

#9 - Gana x Alemanha. Milton Leite narrando: "Boateng vai ali para recuperar a bola para a seleção... (ele para, pensa: ganesa? ganense? ganenha? desiste) ...de Gana".
 
#8 - A Espanha ganhou a Copa. Paul, o Polvo Profeta, acertou de novo e ganhou de Paulo Roberto Falcão o seguinte reconhecimento: "A voz do polvo é a voz de Deus".

Triste é saber que ele entende mais de futebol que a gente

#7 - Jogo Holanda x Brasil. O jogo estava sofrível e o resultado foi desatroso, mas nada tão ruim quanto a "curiosidade" apresentada pelo Casagrande: "A Holanda, todas as vezes em que não foi eliminada, chegou à final da Copa". UAU! Isso é que é retrospecto! Ela não foi eliminada e chegou à final! Eu tenho uma informação mais completa pra você, Casagrande: não só ela chegou à final todas as vezes que não foi eliminada, como todas as vezes em que ela não conseguiu chegar à final foi justamente por ter sido eliminada! Que coincidência, não? Será que é karma?

 #6 - Tríplice coroa para o jogo Holanda x Eslováquia nas oitavas. Narração de Milton Leite / Noriega. O meia eslovaco Kucka faz uma falta num jogador holandês. Comentário do Noriega: "Bem que avisaram, cuidado com o Kucka que o Kucka vem pegar". Milton narrando os preparativos para uma cobrança de falta levantada na área: "O juiz chega ali, dá uma bronca nos jogadores, fala: 'não quero saber de empurrão, beliscão, puxão de cabelo'... o Roben fala: 'pra mim não tem problema que eu não tenho cabelo'". E, pra finalizar, Eslováquia quase eliminada, um dos dois solta a pérola: "A Eslováquia foi pro brejo".

#5 - Alguém deveria avisar aos narradores que não é necessário narrar tudo, tudo. Algumas coisas, como a torcida, podem ficar sem comentário. Alemanha x Inglaterra, a imagem mostra um torcedor inglês, com uma garrafa de cerveja na mão e uma câmera. Lá vai a narração: "O torcedor inglês fotografa, bebe sua cerveja, e acredita". Mas nada como a pérola de Milton Leite no jogo Gana x EUA: após o gol que eliminaria os EUA, a imagem na TV mostra uma torcedora americana com um daqueles óculos enormes de lente amarela. Milton Leite ataca: "A torcedora americana não acredita no que está vendo! Até porque deve estar vendo tudo amarelado com aquele óculos ali".

#4 - Da categoria "trocadilhos infames com nomes de jogadores". Outra do jogo Gana x Alemanha, na primeira fase: "Entra para a seleção de Gana o Adiyiah... acho que essa entrada não vai adiar a decisão...". No mesmo jogo, entra para a Alemanha o jogador Kroos. O comentário: "Esse deve cruzar bem para a área, se fizer jus ao nome". Mas nada supera o jogo do México x Argentina nessa categoria:
"- Erra o passe Torrado... o Torrado está torrando a paciência de todo mundo com esses erros...
 - A mesma coisa o Guardado, que não guardou nada para o segundo tempo, está péssimo no jogo."
Mais tarde: "E vai entrar na seleção mexicana o Franco... ele que só fala a verdade, não conta mentira pra ninguém..."

#3 - Trecho do jogo Austrália x Gana (porque é sempre nos jogos de Gana?), acho que era a dupla Milton/Noriega, mas não tenho certeza:
Narrador: "Aí está o zagueiro australiano Moore... será que ele é parente do Roger Moore?"
Comentarista: "É, tava precisando chamar o 007 nesse time da Austrália, que a coisa está feia."
Narrador: "É a grande família Moore..."

#2 - Logo na primeira rodada da Copa, a imagem mostrou um torcedor argentino com uma garrafa de cerveja na mão. Arnaldo Cesar Coelho se indigna: "É uma questão de segurança! Aqui se vende cerveja, e se entra com garrafa de cerveja pra dentro do campo. A imagem mostrou agora há pouco!" Alguns segundos de silêncio depois, vaza a voz do Casagrande tentando falar em off: "É de plástico... eu peguei!" Nem Arnaldo nem Galvão desfizeram o engano, que você pode conferir no vídeo abaixo (a partir dos 30 segundos):


#1 - O que pode ser pior que um repórter que só quer aparecer não dá nenhuma informação útil, e só repete o que já foi dito? Um repórter que, além de só repetir uma informação, ainda dá um furo e aparece do jeito errado... foi o que fez o repórter do SporTV no jogo Itália e Nova Zelândia, ao tentar repetir a informação, dada no início da partida, do motivo da Itália estar jogando de luto. Diálogo entre o repórter e o narrador:
" - ...só repetindo para o torcedor que está chegando agora, acordou tarde, é domingão no Brasil...
  - É domingo no mundo inteiro hoje.
  - (pausa) É, pois é... (pausa) ...mas a informação é que..."
Sacanagem do narrador também, podia ter deixado passar batido a bobagem do colega.

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Outros comentários: uma das poucas "bolas dentro" dos narradores aconteceu no jogo EUA x Argélia. Jogo nervoso no final, os torcedores tensos. A imagem gerada pela FIFA mostra ambas as torcidas de EUA e Argélia apreensivas, quando o narrador repara: "se os torcedores estão aí preocupados, quem é que tá tocando vuvuzela?

Por falar nas imagens da torcida, se a FIFA quiser fazer essa montagem "cinematográfica" nas transmissões da Copa de 2014, tentando captar a alegria, tensão ou decepção dos torcedores, vai ter que parar de mostrar a imagem deles no telão. Não importa o quão aborrecido o torcedor estivesse, era só se ver no telão para dar pulos de alegria.

E, pra finalizar, divulgou-se a informação de que Lionel Messi, melhor jogador do mundo em 2009 e grande decepção nessa Copa, só foi "descobrir" a banda Oasis durante a Copa, graças a um dos colegas de seleção. Depois de saber que Noel e Liam Gallagher se separaram e acabaram com a banda, disse que se a Argentina fosse campeã, ia querer o Oasis reunido pra tocar na festa de comemoração. Mas argentino é muito convencido mesmo! Além de se achar o campeão antecipado, ainda se acha importante o suficiente pra suplantar os ataques de estrelismo dos irmãos Gallagher...

Update: eu tinha me esquecido desse... a página inicial do Yahoo!, durante a copa, ao juntar imagens num quadro que direcionava para galerias de imagens sobre a Copa, aparentemente sem querer fez uma montagem comprometedora do zagueiro espanhol Piqué junto à musa paraguaia Larissa Riquelme...


11 de julho de 2010

Tópicos tangentes à Copa do Mundo - Parte 2

Final de domingo já é motivo de melancolia naturalmente. Final de domingo + final de Copa é uma combinação poderosa no caminho do aumento no número de suicídios, ainda mais considerando-se a ausência do Brasil do ponto mais alto do pódio. Ou sequer do pódio... mas, enquanto algumas pessoas se perguntam se existe vida após a Copa do Mundo, os nossos presidenciáveis dão um suspiro e se preparam para a vez deles de não sair dos holofotes. O que nos leva a outro comentário-padrão sobre a Copa:

Enquanto o Brasil se distrai com a Copa, ____________ aconteceu. Por favor, preencham a lacuna. Enxurrada assassina no nordeste? Código Florestal que destrói a amazônia? Podem escolher. Essas coisas realmente aconteceram (e até foram bem divulgadas, porque até eu que nunca vejo TV fiquei sabendo), e outras milhares de coisas igualmente importantes aconteceram durante a Copa, mas que diferença faria se tivessem sido mais divulgadas? O código florestal já estava tramitando há séculos no congresso, já tinha gente criticando, o Greenpeace organizou N petições online contra o tal código, e nada aconteceu. Quando os políticos decidem ignorar a opinião pública, eles simplesmente o fazem. A enxurrada assassina veio e se foi tão rápido quanto chegou, e até agora estão juntando os cacos. Alguém teria impedido isso? Ou o super-homem não pôde atender porque estava esperando o Messi fazer o seu golzinho na Copa? A diferença entre essa tragédia no nordeste e os deslizamentos no Rio de Janeiro foi que os jornais, em vez de ficarem entrevistando as pessoas chorando os parentes mortos, resolveu entrevistar o Dunga.

Parem de dizer que a cobertura da Copa é "pra te distrair das coisas que são realmente importantes". Parem com essa besteira paranóica de Cidadão Kane. É óbvio que vão dar mais destaque à Copa nos noticiários. O evento acontece uma vez a cada 4 anos! Todo ano tem algum escândalo político ou algum desatre natural. A Copa é mais rara, sinto muito. E o evento mais raro vende mais jornal. Há quem reclame que brasileiro dá menos atenção à política que ao futebol, e pode até ser verdade, mas não é por falta de fornecimento de informação. Agora mesmo durante a Copa, a revista IstoÉ teve duas entrevistas com Marina Silva e José Serra na capa (acho que se a Dilma ainda não apareceu, deverá vir logo). E antes que reclamem que a maior parte das pessoas não pode comprar a revista, toda semana eu tenho visto pesquisas sendo divulgadas na TV. Há outra explicação para as pessoas acharem que é só a Copa que ganha destaque: é porque elas só se interessam na Copa! Depois da Copa, vêm as eleições, sempre foi assim. A divisão me parece justa: dois meses para a Copa, três para as eleições (quatro, se houver segundo turno).

De qualquer forma, trabalhar na imprensa é uma coisa ingrata. Se não cobrem direito a Copa, estão  fazendo um trabalho mal feito e perdem audiência. Se cobrem a Copa extensamente, estão encobrindo outra coisa. Se mostram a trgédia brevemente, estão fazendo pouco caso; se promovem a superexposição da desgraça, estão se aproveitando do sofrimento dos outros. Se não dão notícias sobre eventos políticos, estão protegendo alguém; se cobrem o caso de perto, estão tentando destruir alguém. A TV quer audiência, e o melhor jeito de conseguir audiência é dar às pessoas o que elas querem ver. Se a Copa vende mais que a política, a culpa é de quem compra, não?

3 de julho de 2010

Tópicos tangentes à Copa do Mundo - Parte 1

Com o intuito de falar tudo o que eu gostaria de falar sobre futebol e esportes em geral, vou derrubar um post em duas partes abordando todos os pequenos comentários que me surgiram nesse período de pausa para a Copa. A Copa do Mundo é um evento interessante, assim como o futebol em si é algo interessante não apenas pela intensidade da competição esportiva, mas pela possibilidade de estudos sociológicos que se abrem através dele. Não vou ser um esnobe hipócrita aqui e dizer que eu me interesso por futebol apenas pelo significado intelectual que ele pode ter. Eu realmente gosto de futebol, mas gente comentando futebol e fazendo análise dos jogos da Copa já tem muita por aí. Eu prefiro analisar os efeitos colaterais.

A Copa desperta uma infinidade de comentários. Eu falei antes que não seria esnobe porque um deles é o esnobismo com que muita gente condena o futebol. O Juca Chaves conta uma anedota mais ou menos assim:
Uma vez eu me cansei de falar com gente ignorante, pensei: só vou conversar com gente com QI alto. Fui numa festa, cheguei perto de um sujeito e perguntei: "Qual é o seu QI"? "150", ele me disse. Eu falei: "Bom, podemos falar sobre física quântica, sobre astronomia..." Cheguei pra outro, e perguntei a mesma coisa. "180", ele me disse. Eu disse: "Ótimo, podemos falar sobre cálculo infitesimal..." Cheguei pra um terceiro, perguntei: "Qual é o seu QI"? Ele me disse "30". "30?", eu perguntei. "30", ele me disse. "E ai, meu, como vai o Timão?".
 Eu gosto da piada, mas ela guarda em si um preconceito imenso contra os fãs de futebol. É claro que não é necessário ser nenhum gênio para se assistir a futebol, ou para se jogar futebol, ou mesmo para treinar um time (oi, Dunga!), mas isso não quer dizer que o futebol requeira menos inteligência para se assistir, jogar ou analisar que qualquer outro esporte. É inegável que, sendo o futebol o esporte mais popular do mundo, haja mais gente pobre e ignorante assistindo ao futebol que assistindo a uma partida de tênis, mas isso é muito mais uma questão de falta de acessibilidade que de falta de qualificação. É o velho elitismo do sujeito que estudou nas melhores escolas chamando de ignorante o cara que só pôde ir pra escola pública, quando muito.

Comentário padrão sobre a Copa #2: Brasileiro só é patriota na Copa do Mundo. Isso é besteira. Brasileiro é patriota na Copa América também. Piada à parte, esse é um comentário bastante injusto, pois considero o brasileiro um povo tão patriota como qualquer outro. O problema é que patriotismo é um conceito muito subjetivo, que envolve bem mais que colocar a mão no peito pra cantar o hino e desfilar no 7 de setembro. Os brasileiros gostam quando veem outro brasileiro ganhar uma competição esportiva, um prêmio, um reconhecimento internacional. Quem não lembra da torcida pela canonização do Frei Galvão, que muita gente nem sabia quem era, mas queria só pra ter um santo brasileiro? De modo geral, os brasileiros gostam do Brasil e se orgulham do país. Os brasileiros só não gostam muito dos brasileiros. A nossa auto-estima como povo sempre foi muito baixa, e embora tenha melhorado nos últimos anos, ainda permanece a idéia xenófila de que os estrangeiros é que sabem das coisas, que "lá fora" se faz coisa muito melhor, etc. Como dizem os Titãs: "um idiota em inglês, se é idiota, é bem menos que nós".

Falando em "cantar o hino"... eu sei que não sou só eu que acho o hino nacional comprido demais. Embora eu não aprecie o tom marcial que a música tem, eu jamais ousaria mudar um símbolo nacional. Tradição é tradição. Mas é extremamente irritante ver, não apenas na Copa, mas em qualquer competição esportiva, o hino sendo cortado ao meio, mutilado, e sempre num ponto diferente. Às vezes, pula-se um pedaço da música para chegar logo ao final, e quem está cantando junto fica perdido. Ao contrário do que muita gente pensa, o nosso hino não é o único a ser executado apenas em parte. Por exemplo, God Save the Queen, o hino britânico, tem apenas a primeira estrofe executada. No geral, os outros hinos, cortados ou não, tem a duração aproximada de um minuto. O hino brasileiro, completo, tem três e meio (mas nada como o hino uruguaio, com 6 minutos de duração, esse também é cortado), e só a introdução, antes de começar a letra, tem quase 30 segundos. O que eu estou tentando dizer aqui é que, se não há jeito a não ser o corte, porque não criar um "Hino Olímpico Brasileiro",  mais curto, e específico para ser usado em cerimoniais esportivos? Ou então, mais simples ainda, criar uma versão resumida oficial, pulando a introdução, começando direto onde a letra começa e indo até o fim da primeira parte? Essa versão teria em torno de 1:20min. Acho melhor cortar a introdução que parar a letra no meio.

CONTINUA
 
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