5 de junho de 2010

O choro dos bebês (ou Darwin tinha razão)

Um feriadão com sobrinho recém-nascido em casa traz a uma mente investigativa uma série de reflexões. Um bebê tem mais raciocínio que um cachorro? A minha cadela reconhece meia dúzia de palavras, enquanto o bebê mal sabe quando estão falando com ele. Um bebê dá um fôlego novo a um casamento ou ele acelera a ruína da relação? E quando é que essa criança vai finalmente dormir e deixar a gente ver o futebol?

Mas algo que eu analisei com mais atenção foi a relação das pessoas com o choro dos bebês. Diz o Guia dos Curiosos que o choro de um bebê pode ultrapassar os 90 decibéis (exposição prolongada a sons em intensidade superior a 85 decibéis pode causar danos auditivos). Em casos extremos, incomoda mesmo. E, por mais que a gente se preocupe de verdade com o bem estar dos filhotes, muitas vezes a gente dá atenção aos bebês e tenta resolver o problema só para parar com a chateação. Correr para atender ao chamado do bebê, em vez de ser a reação de um pai preocupado, em alguns casos é apenas uma atitude estritamente egoísta.

O que é interessante de reparar é que isto tem uma evidente razão de ser assim. E a lógica genialmente simples da teoria darwiniana da evolução se revela em toda a sua beleza. A nossa espécie é composta, em sua esmagadora maioria, por pais que se incomodam com o choro dos bebês, e por filhos que choram (ou choraram) muito alto. E isso se deve ao simples fato de que qualquer outra combinação (que eu tenho certeza que existiram) não poderia sobreviver. Nos primórdios da humanidade, pais com filhos que choravam alto, mas que não se importavam com o choro das crianças, não atendiam aos chamados dos filhos, e deixavam as crianças morrer de fome, febre, ou qualquer outra coisa. O gene do pouco caso raramente passava adiante. Por outro lado, bebês que choravam baixo, que não choravam, ou que expressavam o seu desconforto de qualquer outra maneira "não-incomodativa" também não atrairiam a atenção dos pais, morrendo silenciosamente e levando os seus genes de tranquilidade consigo.

Quando o seu bebê chorar, lembrem-se de que poderia ser muito pior. Ele poderia estar sofrendo a sorrir (eee, Amado Batista!) nos seus braços, e finalmente morrer numa dor insuportável, e você nem se daria conta disso até que não houvesse mais o que fazer. A natureza é sábia. Em vez de se queixar, faça o que puder, ou cantarole um Mozart ao pé do ouvido pra ele dormir. Eu testei e funciona.

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