13 de maio de 2010

Top de 5ª - Era Uma Vez no Oeste

Como eu faço uma resenha de um filme com mais de 40 anos? Por que eu faço uma resenha de um filme que todos deveriam ter visto? Em primeiro lugar, porque eu não tenho 40 anos, então só vi o filme hoje. Aliás, eu não tenho nem 25, e a maior parte das pessoas que lêem esse blog estão mais ou menos na mesma faixa. Era uma vez no oeste é um daqueles filmes clássicos que ninguém da minha geração viu. Talvez pelo filme ser velho. Talvez pelo gênero western andar fora de moda nos últimos... 20 anos? Eu me lembro de ter visto poucos filmes do que se costumava chamar bang-bang até o fim. Ou desde o começo. Eram sempre pequenos pedaços de cinco ou dez minutos, invariavelmente seguidos da expressão "ah, tá chato" e a consequente desistência. Até que hoje eu resolvi revisitar o western, através de uma das obras primas do gênero. E, no momento em que eu escrevo, me dou conta que já é quase quinta-feira, e a resposta para a primeira pergunta surge: a minha resenha virá em forma de top.

Top 5 motivos para assistir a Era Uma Vez no Oeste

#5 - Claudia Cardinale: a mocinha que não é tão mocinha assim. Uma ex-prostituta que não hesita em cair nos velhos hábitos da profissão pra salvar a sua pele num mundo selvagem. Claudia Cardinale é um motivo em si para assistir ao filme - uma das mulheres mais bonitas da história do cinema, num papel capaz de ensinar bons truques para Angelina Jolie sobre o que é ser sexy de verdade.

#4 - O Roteiro - que pode ser qualquer coisa, menos óbvio. Os heróis com moral dúbia, os bandidos cativantes ou dignos de pena, e uma trama que não revela totalmente os seus segredos até o último momento fazem desse filme uma espécie de predecessor western de Watchmen (só para usar um paralelo mais atual).

#3 - Charles Bronson - ele mesmo, o baixinho do bigode de quem todo mundo que cresceu nos anos 80/90 lembra apenas pelas incontáveis reapresentações de Desejo de Matar no Domingo Maior. Nesse filme, Bronson nos apresenta um dos papéis que o fizeram uma lenda. Um homem de poucas palavras, mas de ação rápida e certeira quando necessário, o pistoleiro "Harmônica" é o auge da badassness - aquele cara que todo menino quer ser quando crescer.



#2 - Ennio Morricone - você pode não estar ligando o nome à pessoa, mas quando se fala em assobio e filme de faroeste, são os famigerados acordes de The Good, The Bad and The Ugly, a obra mais famosa de Morricone, que todos lembram. Apesar dessa música ser de outro filme de Sergio Leone, a trilha sonora composta por Ennio Morricone para Era uma vez no oeste não é menos inspirada, marcando com genialidade a passagem dos momentos sérios para as cenas mais leves, e elevando a tensão ao máximo quando algo está para acontecer.

#1 - Sergio Leone - seria algo de se estranhar que o maior diretor de filmes sobre a conquista do oeste dos Estados Unidos fosse um italiano. Mas gênios não escolhem onde vão nascer, e se Sergio Leone nasceu para ser alguma coisa, era diretor de Spaghetti Western. O enquadramento da câmera e os longos planos estáticos assemelham a estética do filme à das histórias em quadrinhos, como as de Giovanni Luigi Bonelli (Lembram do Tex? Certamente uma influência...). O modo como se usam apenas imagens, música e som ambiente para contar boa parte da história, deixando apenas os diálogos absolutamente necessários é algo a ser redescoberto pelos cineastas atuais, sempre ansiosos por fazerem os filmes o mais esmiuçadamente explicados que for possível. Sergio Leone é o Stanley Kubrick do western.

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