24 de maio de 2010

Reminiscências aleatórias da noite passada

Noite passada eu comecei a ler O Tempo e o Vento, do Érico Veríssimo. Já estava naquela hora da noite em que as coisas parecem fazer mais sentido do que realmente fazem, e a mente voa por caminhos pouco usuais. Segue uma retrospectiva tão fiel quanto possível de por onde andei até o sono chegar.

Licurgo Cambará, na época mostrada no primeiro capítulo do livro, tem 40 anos, e é um chefe político, um chefe de família, com o terceiro filho a caminho de nascer no meio de um cerco ao casarão onde ele sua família resistem ao domínio das tropas federalistas. 40 anos. Parece-me tão perto, e tão distante ao mesmo tempo. Ainda nem cheguei aos 30, mas quando você vê, os 40 estão aí e você nem viu chegar. Com 24 anos recém completados, ainda me faltam 16 pra bater nos 40. Parece muito? Parece pouco? O que acontece em 16 anos? Um filho nasce e se torna adolescente. Um casamento morre. Quem sabe até mais de um. Coisa pra caramba. Mas ainda assim, parece que é o tempo que te atropela. Que é a vida que passa por você, e as coisas vão acontecendo independentemente do que você faz, ou pensa delas. A vida não pede a sua opinião.

16 anos. Como eu vou estar daqui a 16 anos? Quem eu era há 16 anos? O ano é 1994, eu estou na terceira série do primário. A minha banda favorita é Skank, que acabou de lançar o disco Calango. Nunca encostei num computador. Tenho oito anos de idade, moro em Papanduva, e estou apaixonado por uma menina chamada Andreia Schons. Não que realmente estivesse. Hoje eu percebo que um garoto de 8 anos não tem suporte emocional pra lidar com isso. Garotos de 8 anos não se apaixonam, por mais precoces que sejam. Eu inventei isso. Como dizia o Cazuza. 

Por quê? Pra que eu fazia isso? Escolhia a menina mais bonitinha da sala, e me fazia de apaixonado. Fingia pra eu mesmo. Fiz isso umas dez vezes. Afinal de contas, era assim que as coisas deviam ser, não é? Era assim que o mundo era. Em todos os livros que eu lia, filmes que assistia, novelas que acompanhava, todo munso estava apaixonado por alguém. Se fosse à primeira vista, melhor. Você não precisava trocar uma palavra com a pessoa. Sequer um olhar. Era assim nos filmes. Como o protagonista da minha própria história, eu precisava de um interesse romântico. Platônico. Loucura. Mas se era assim em livros, filmes, novelas, deveria ser assim na vida também.

Semana passada, eu comecei a ler Dom Quixote, também. A história de um velhote que, de tanto ler livros de cavalaria, começa a pensar que existem realmente cavaleiros andantes, e que ele mesmo deveria se tornar um. Estranha semelhança.

Um comentário:

diego.ufsc disse...

Miiinhas arma do purgatório! Agora vi que o home aloquiô de vez! Que loucuuuura....

 
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