27 de maio de 2010

Top de 5ª - Top 5 atores de quem você se lembra (mas não sabe o nome)

Sabe aquela sensação de "já vi essa cara em algum lugar" que a gente tem ao ver um ator num filme? Ou então aquele ator que você sempre lembra por algum papel, mas nunca lembra do nome? Essa é a minha homenagem ao coadjuvante desconhecido.

#5 - David Paymer - Você já o viu por aí. O tintureiro Leo de O Nome do Jogo. Ou, mais recentemente, o gerente do banco de Arraste-me Para o Inferno. Acho que David Paymer só ficou mais de dez minutos em cena em  Sequestro por Engano, um filme B que ele fez dividindo o papel de protagonista com Tom Arnold, outro coadjuvante convicto (lembra do cara chato em 9 meses? Era Tom Arnold). David Paymer é uma versão mais magra (e com certeza muito mais barata) do Danny deVito. Mas tão baixinho quanto.

#4 - Jeffrey Jones - Não dá pra ver esse cara na tela e não gritar "Rooooooneeeyy!!" com aquela voz dublada do Cameron na Sessão da Tarde. O diretor Ed Rooney de Curtindo a Vida Adoidado é um dos personagens mais odiados por qualquer um que tenha nascido nos últimos 35 anos. Apesar de ficar marcado para a eternidade pelo papel no filme de 1985, Jeffrey Jones tem uma longa filmografia, tendo trabalhado em diversos filmes do Tim Burton. Geralmente interpreta pessoas detestáveis, porque ele tem uma cara detestável. E não é pra menos: em 2003, foi preso por possuir pornografia infantil e pagar menores para posar para ele em poses sensuais. Dá pra imaginar o que ele ia fazer com Ferris Bueller se o pegasse. Fuja pras colinas, Matthew Broderick!

#3 - Ben Stein - Mais um monstro retirado de Curtindo a Vida Adoidado. Esse cara é o reponsável por cunhar uma das mais usadas e reconhecíveis referências da cultura pop em todo o mundo, e fez isso usando apenas duas palavras: Bueller e Alguém? Ben Stein também pode ser lembrado como o psiquiatra de O Máskara. Quando alguém precisa de um intérprete para um personagem chato, burocrático, e com voz monótona, Ben Stein é a melhor opção. Mais uma vez aqui, a arte imita a vida: Stein é advogado, comentarista de economia, e ganhou notoriedade por escrever os discursos de Richard Nixon!

#2 - Eugene Levy - "Precisamos de um coadjuvante para fazer o papel de um cara do Oriente Médio", diz um produtor. "Chama o Eugene Levy", responde o outro, sem pestanejar. Não dá pra não reconhecer as sobrancelhas grossas do pai do Jason Biggs em American Pie. Seja para interpretar um banqueiro judeu ou um dono de mercearia palestino, Levy já ganhou centenas de papéis no cinema por causa das duas taturanas bem nutridas que carrega acima dos olhos. Vai dizer que você nunca viu ele em alguma comédia barata por aí?

#1 - Steve Buscemi - Caso haja alguma dúvida, o "sc" se pronuncia como "ch". O meu preferido entre os atores coadjuvantes de todo do mundo. De todos esses caras, é o único que eu realmente considero um grande ator subaproveitado. Desde o metaleiro abobalhado em Airheads ou o "caçador de mulheres" em Armageddom, até o criminoso Mr. Pink em Cães de Aluguel, Steve Buscemi rouba a cena em todos os momentos em que aparece na tela. É realmente uma pena que esse cara acabe sendo tão pouco utilizado, fazendo pequenas participações em filmes do Adam Sandler.

Quanto às garotas, me desculpem... mas uma vez que a maior parte das personagens coadjuvantes femininas estão lá apenas para serem "gostosas de fundo", existem poucas mulheres que conseguem fazer carreira como "atriz coadjuvante": esse papel é reservado sempre às gostosas em ascenção. Ou em declínio, dependendo da idade do personagem.

24 de maio de 2010

Reminiscências aleatórias da noite passada

Noite passada eu comecei a ler O Tempo e o Vento, do Érico Veríssimo. Já estava naquela hora da noite em que as coisas parecem fazer mais sentido do que realmente fazem, e a mente voa por caminhos pouco usuais. Segue uma retrospectiva tão fiel quanto possível de por onde andei até o sono chegar.

Licurgo Cambará, na época mostrada no primeiro capítulo do livro, tem 40 anos, e é um chefe político, um chefe de família, com o terceiro filho a caminho de nascer no meio de um cerco ao casarão onde ele sua família resistem ao domínio das tropas federalistas. 40 anos. Parece-me tão perto, e tão distante ao mesmo tempo. Ainda nem cheguei aos 30, mas quando você vê, os 40 estão aí e você nem viu chegar. Com 24 anos recém completados, ainda me faltam 16 pra bater nos 40. Parece muito? Parece pouco? O que acontece em 16 anos? Um filho nasce e se torna adolescente. Um casamento morre. Quem sabe até mais de um. Coisa pra caramba. Mas ainda assim, parece que é o tempo que te atropela. Que é a vida que passa por você, e as coisas vão acontecendo independentemente do que você faz, ou pensa delas. A vida não pede a sua opinião.

16 anos. Como eu vou estar daqui a 16 anos? Quem eu era há 16 anos? O ano é 1994, eu estou na terceira série do primário. A minha banda favorita é Skank, que acabou de lançar o disco Calango. Nunca encostei num computador. Tenho oito anos de idade, moro em Papanduva, e estou apaixonado por uma menina chamada Andreia Schons. Não que realmente estivesse. Hoje eu percebo que um garoto de 8 anos não tem suporte emocional pra lidar com isso. Garotos de 8 anos não se apaixonam, por mais precoces que sejam. Eu inventei isso. Como dizia o Cazuza. 

Por quê? Pra que eu fazia isso? Escolhia a menina mais bonitinha da sala, e me fazia de apaixonado. Fingia pra eu mesmo. Fiz isso umas dez vezes. Afinal de contas, era assim que as coisas deviam ser, não é? Era assim que o mundo era. Em todos os livros que eu lia, filmes que assistia, novelas que acompanhava, todo munso estava apaixonado por alguém. Se fosse à primeira vista, melhor. Você não precisava trocar uma palavra com a pessoa. Sequer um olhar. Era assim nos filmes. Como o protagonista da minha própria história, eu precisava de um interesse romântico. Platônico. Loucura. Mas se era assim em livros, filmes, novelas, deveria ser assim na vida também.

Semana passada, eu comecei a ler Dom Quixote, também. A história de um velhote que, de tanto ler livros de cavalaria, começa a pensar que existem realmente cavaleiros andantes, e que ele mesmo deveria se tornar um. Estranha semelhança.

13 de maio de 2010

Quando uma luminária vira o sol


Eu sei, a foto é clichê, mas essa é a vista que eu tenho todo dia da janela quando me sento na frente do computador: a luminária do poste marcando o sol na pauta de fios elétricos.

Top de 5ª - Era Uma Vez no Oeste

Como eu faço uma resenha de um filme com mais de 40 anos? Por que eu faço uma resenha de um filme que todos deveriam ter visto? Em primeiro lugar, porque eu não tenho 40 anos, então só vi o filme hoje. Aliás, eu não tenho nem 25, e a maior parte das pessoas que lêem esse blog estão mais ou menos na mesma faixa. Era uma vez no oeste é um daqueles filmes clássicos que ninguém da minha geração viu. Talvez pelo filme ser velho. Talvez pelo gênero western andar fora de moda nos últimos... 20 anos? Eu me lembro de ter visto poucos filmes do que se costumava chamar bang-bang até o fim. Ou desde o começo. Eram sempre pequenos pedaços de cinco ou dez minutos, invariavelmente seguidos da expressão "ah, tá chato" e a consequente desistência. Até que hoje eu resolvi revisitar o western, através de uma das obras primas do gênero. E, no momento em que eu escrevo, me dou conta que já é quase quinta-feira, e a resposta para a primeira pergunta surge: a minha resenha virá em forma de top.

Top 5 motivos para assistir a Era Uma Vez no Oeste

#5 - Claudia Cardinale: a mocinha que não é tão mocinha assim. Uma ex-prostituta que não hesita em cair nos velhos hábitos da profissão pra salvar a sua pele num mundo selvagem. Claudia Cardinale é um motivo em si para assistir ao filme - uma das mulheres mais bonitas da história do cinema, num papel capaz de ensinar bons truques para Angelina Jolie sobre o que é ser sexy de verdade.

#4 - O Roteiro - que pode ser qualquer coisa, menos óbvio. Os heróis com moral dúbia, os bandidos cativantes ou dignos de pena, e uma trama que não revela totalmente os seus segredos até o último momento fazem desse filme uma espécie de predecessor western de Watchmen (só para usar um paralelo mais atual).

#3 - Charles Bronson - ele mesmo, o baixinho do bigode de quem todo mundo que cresceu nos anos 80/90 lembra apenas pelas incontáveis reapresentações de Desejo de Matar no Domingo Maior. Nesse filme, Bronson nos apresenta um dos papéis que o fizeram uma lenda. Um homem de poucas palavras, mas de ação rápida e certeira quando necessário, o pistoleiro "Harmônica" é o auge da badassness - aquele cara que todo menino quer ser quando crescer.



#2 - Ennio Morricone - você pode não estar ligando o nome à pessoa, mas quando se fala em assobio e filme de faroeste, são os famigerados acordes de The Good, The Bad and The Ugly, a obra mais famosa de Morricone, que todos lembram. Apesar dessa música ser de outro filme de Sergio Leone, a trilha sonora composta por Ennio Morricone para Era uma vez no oeste não é menos inspirada, marcando com genialidade a passagem dos momentos sérios para as cenas mais leves, e elevando a tensão ao máximo quando algo está para acontecer.

#1 - Sergio Leone - seria algo de se estranhar que o maior diretor de filmes sobre a conquista do oeste dos Estados Unidos fosse um italiano. Mas gênios não escolhem onde vão nascer, e se Sergio Leone nasceu para ser alguma coisa, era diretor de Spaghetti Western. O enquadramento da câmera e os longos planos estáticos assemelham a estética do filme à das histórias em quadrinhos, como as de Giovanni Luigi Bonelli (Lembram do Tex? Certamente uma influência...). O modo como se usam apenas imagens, música e som ambiente para contar boa parte da história, deixando apenas os diálogos absolutamente necessários é algo a ser redescoberto pelos cineastas atuais, sempre ansiosos por fazerem os filmes o mais esmiuçadamente explicados que for possível. Sergio Leone é o Stanley Kubrick do western.

3 de maio de 2010

A Esculhambação da Gastronomia

Salada de tomate combina com salada de couve-flor? O melhor acompanhamento para um prato principal qualquer é arroz ou batata? Para responder essas questões, o Idéias Insólitas presenteia vocês com uma teoria revolucionária que vai transformar completamente o modo como você, prezado leitor, encara a culinária.

(Rola uma musiquinha de abertura de programa culinário)

Baseado na minha aparente total falta de critério para escolher combinações de alimentos, eu desenvolvi uma teoria para governar a possibilidade de misturas inusitadas serem realizadas sem dano. Mas, para explicá-la satisfatoriamente, tenho que voltar no tempo e contar uma história.

No já longínquo ano de 2007, eu comecei a fazer sanduíches com qualquer coisa que eu pudesse encontrar na geladeira e colocar dentro de um pão: alface, tomate, queijo, mostarda, ketchup, molho shoyu, maionese, mel, geléia, uvas, feijão... qualquer coisa. Minha esposa batizou isso de sanduíches Rabolu (em homenagem à célebre frase do V.M. Rabolu: "quem tiver entendimento que entenda, porque aqui há sabedoria"). Um dia, um amigo meu, vendo aquela cornucópia dentro do sanduíche, resolveu concorrer e fazer um outro sanduíche mais estranho e com mais coisas.

Entramos numa competição que era retomada a cada vez que nos encontrávamos, em que o que era posto no sanduíche de um, teria de ser posto no do outro. E, por incrível que pareça, os sanduíches continuavam bons, mesmo após a adição de vinagre, canela e calda de chocolate (mas isso só nós dois saberemos, porque ninguém mais se atreveu a provar). Até que um dia, ele resolveu adicionar Quick sabor morango no sanduíche. Pra não ficar diminuído, eu coloquei também. Não consegui terminar de comer, quick foi demais pra mim. Joguei a toalha, enquanto via ele abrindo o sanduíche de novo, dizendo: "precisa mais quick".

A minha idéia inicial de que qualquer coisa podia ser combinada foi jogada por terra, mas eu ainda não estava pronto para desistir. Até que percebi que aquilo era uma exceção: quick é uma porcaria, não dá pra comer num sanduíche algo que você também não comeria fora do sanduíche. E foi então que a minha teoria revolucionária veio à tona. O enunciado inicial do Teorema de Rabolu é o seguinte:

O que é bom separado, é bom em conjunto.

Ao longo dos anos, o conceito foi sendo constantemente posto à prova, pelos mais variados métodos, sempre com sucesso inquestionável, mas não sem passar por algumas adaptações. Reconhecendo que o conceito de "Bom" em culinária é muito relativo, o enunciado do teorema passou a ser:

Se você gosta de dois ou mais pratos isoladamente, gostará também 
da mistura desses pratos, na medida em que gostar de cada um deles.

O que parece uma teoria temerária e anárquica, na verdade segue regras muito específicas para que tenha validade:

Regra nº1 - Os alimentos devem ser consumidos em conjunto do mesmo modo que são consumidos isoladamente.
Em outras palavras, se você bater uma pizza no liquidificador junto com salada de frutas, não estará aplicando o teorema corretamente. A menos que você goste de pizza batida no liquidificador.

Regra nº2 - Temperos a ser adicionados devem, necessariamente, ser considerados bons com pelo menos um dos ingredientes.
Aplicação prática: se você não gosta de abacaxi com vinagre, nem de feijão com vinagre, não se recomenda que seja adicionado vinagre a feijão-com-abacaxi.

Regra nº3 - Aplicação do fator de risco.

Último desenvolvimento da teoria, o fator de risco é uma fórmua matemática que calcula a porcentagem do teorema de funcionar adequadamente. O cálculo da porcentagem de sucesso de qualquer mistura é dado por:

Onde:
P = Porcentagem de sucesso de uma mistura qualquer.
Q = Quantidade de componentes adicionados
r = coeficiente de risco, a ser aplicado segundo os valores a seguir:
  • r = 1 se os componentes forem de uma mesma categoria (salada + salada, sobremesa + sobremesa, etc)
  • r = 2 se um ou o único componente adicionado for de categoria distinta do outro, exceto sobremesa ou bebida.
  • r = 3 se um ou o único componente adicionado for sobremesa ou bebida, sem que o(s) outro(s) o seja(m).
  • r = 4 se a mistura englobar mais de dois componentes, e todos forem de categorias distintas.
Ω =  potencial de falha crítica, sendo aplicáveis:

          a) Ω = 1, se todos os ingredientes forem do mesmo estado físico
          b) Ω = 2, se um dos ingredientes for líquido
          c) Ω = 4, se os componentes forem tradicionalmente consumidos em temperaturas diferentes (divididos entre gelado, frio, morno ou quente)
          d) Ω = 6, se b) e c) forem aplicáveis

Estudos de caso:

Caso 1 - Pizza de palmito + pizza de champignon = são aplicados os valores: Q = 1 (apenas um componente adicionado); r = 1 (ambos os componentes de categorias iguais); Ω = 1 (ambos no mesmo estado físico).
P = (100/ 2.1.1).1,9 = 95
Para esses valores, o percentual de sucesso é de 95%. Quem gosta de pizza de champignon e de pizza de palmito não teria problemas em colocar uma fatia sobre a outra e comer.

Caso 2 - Feijão + sorvete = são aplicados os seguintes valores: Q = 1 (apenas um componente adicionado); r = 3 (um dos componentes é sobremesa); Ω = 4 (consumidos em temperaturas diferentes).
P = ( 100/2.1.3^4).1,9 = 1,17
Nesse caso, o percentual de sucesso é de 1,17%. Nesse caso, mesmo que os componentes sejam bons isoladamente, o risco é altíssimo, e a mistura é potecialmente desastrosa (o que não impede que 1,17% das pessoas que gostam de feijão e de sorvete possam gostar dela).

 Quem tiver entendimento que entenda.

2 de maio de 2010

A Atração da Gastronomia

Todo mundo quer ser gourmet. Nos projetos residenciais, tornou-se comum a cozinha-espetáculo, de preferência integrada à sala, porque o dono gosta de "cozinhar para os amigos"[sic]. Existem reality shows sobre chefs de cozinha passando em horário nobre; blogs sobre culinária, em geral, bombam na internet. Novos cursos superiores de gastronomia são abertos quase todo dia e até meu irmão, que nunca fritou um ovo na vida, já aventou, do auge da sua indecisão adolescente, a possibilidade de cursar um deles. Quando foi que pilotar fogão deixou de ser "trabalho de criados", "coisa de mulher", ou simplesmente uma necessidade?

É claro, todo mundo gosta de comer bem. Muitas pessoas gostam de cozinhar, algumas cozinham bem, uns poucos são verdadeiros gênios na cozinha, mas o que realmente me intriga é a quantidade de pessoas querendo à todo custo exibir os seus dotes culinários. Respeito muito o trabalho dos verdadeiros gourmets, dos chefs de cozinha, eles são profissionais e têm razão de existirem - afinal, se você vai pagar pra comer o que os outros cozinham, tem que ser no mínimo melhor que a comida que você mesmo faz, não é? O que me irrita são aquelas pessoas que, não contentes em comer bem, gostar de cozinhar, e talvez até cozinhar realmente bem, fazem questão de espalhar isso aos quatros ventos e dar showzinho para os amigos.

É claro, todo mundo gosta de calçar bem. Muitas pessoas gostam de caminhar, algumas até correm, e uns poucos ganham medalhas olímpicas fazendo isso, e precisam de um bom calçado pra tanto. Mas, não sei porque, não vejo ninguém fazendo curso de sapateiro ou montando um estande no meio da sala para colar o allstar dos amigos.

E aí é que vem o pulo do gato e o que me inquieta tanto: as pessoas que se intitulam gourmets-de-fim-de-semana só o fazem tão alto e claro porque comer bem/cozinhar bem se tornou sinônimo de sofisticação. E sofisticação, como todos devem saber, também é sinônimo de poder aquisitivo: restaurantes finos custam caro, ingredientes frescos e elaborados custam caro, e um vinho de qualidade para acompanhar também custa caro. "Sofisticado" é um ajetivo que custa caro para ser adicionado após qualquer substantivo. E é por isso que a gastronomia desperta tanto interesse, especialmente entre as camadas relativamente intelectualizadas da população: ela se torna, assim como os carros de luxo e roupas de marca, símbolos de um estilo de vida e de um padrão de consumo que poucos tem realmente condições de atingir. Com a diferença que não dá pra aprender a ser sommelier apenas com um crediário.

Em resumo, isso tudo foi pra falar que, na verdade, o que esse povo quer mesmo é só ser metido a besta. E eu sei disso porque eu mesmo já quis ser metido a besta, já quis ser reconhecido como um bom cozinheiro. Até que percebi duas coisas: a primeira é que eu não queria ser um bom cozinheiro, eu queria ser reconhecido como um. E é uma coisa muito triste precisar de algum baba-ovo elogiando a sua comida pra você se achar alguma coisa. Eu realmente não preciso disso. Eu gosto da minha comida e isso me basta. A segunda coisa que eu percebi é que eu gosto da minha comida porque eu não tenho paladar. Eu como direto da panela e não tenho a menor paciência de ficar enfeitando prato. Eu gosto de nissim miojo, de comida gordurosa e faço as misturas mais esdrúxulas, baseado numa teoria ainda mais esdrúxula. Mas isso é assunto para o post de amanhã.
 
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