23 de abril de 2010

Playlist #4

Não sei de onde veio isso. Não lembro o que eu estava procurando na internet quando caí numa pasta do 4shared cheia de músicas bregas, há umas três semanas. Até então, eu pensava ser um daqueles caras que escutam música brega só pra rir delas, mas, ouvindo aquelas músicas, eu percebi que realmente gosto de toda a cafonice.

É claro, é preciso diferenciar música brega de música ruim. Tem brega que é apenas ruim (miseravelmente ruim, e pior ainda por ser brega), mas existem músicas e artistas que foram menosprezados e praticamente esquecidos apenas por serem bregas, mas não necessariamente ruins. O que é uma tremenda injustiça: existem artistas ruins em qualquer segmento musical, mas os bons artistas são sempre reconhecidos. Apenas os bregas são espinafrados, independentemente da qualidade musical.

Esta minha seleção reúne alguns artistas bregas que eu acho que podem ser considerados "gênios com mau gosto" (como Roberto San, Luizito Gemma e Evaldo Freire), gênios mal compreendidos (Odair José, o Mestre!), e algumas coisas curiosas. Não tem jeito que dê jeito é algo inclassificável. Se ainda existe amor eu tenho quase certeza que é versão de uma música do Elvis (não lembro qual, me ajudem), e a letra é do Raul Seixas (que aliás trabalhou como produtor nos dois primeiros discos do Odair José, se não me engano). E a misteriosa "Faixa 11" (que, apesar do nome, está na vigésima posição da lista), que não consegui descobrir o nome, o cantor, ou qualquer coisa relacionada a ela. De modo geral, a seleção considerou a unidade das músicas: não apenas o som, mas também os temas, o estilo de cantar e o vocabulário são pequenos excertos do universo dos cabarés populares, redutos da mais fina cafonice. Afinal, no peito dos boêmios sem cacife pra se reunir com a patota intelectual de Ipanema que tocava Bossa Nova também bate um coração.

Playlist #4 - Pérolas do Brega

1. Ronaldo Adriano - Eu quero ver
2. Reginaldo Rossi - Mon amour meu bem ma femme
3. Elino Julião - Meu Cofrinho de Amor
4. Odair José - Esta noite você vai ter que ser minha
5. Odair José - Vou morar com ela
6. Odair José - Cade Voce
7. Odair José - Vou Tirar Voce Desse Lugar
8. Odair Jose & Diana - Meu lamento
9. Baltazar - Se ainda Existe Amor
10. Abílio Farias - Vou Fechar O Cabaret
11. Roberto San - Mulher e cerveja
12. Evaldo Freire - Não Terás Perdão
13. Evaldo Freire - Tudo Acabado
14. Evaldo Freire - Vou Beber Até Morrer
15. Luizito Gemma - Faça de conta que morri
16. Luizito Gemma - O Desquite
17. Raimundo Soldado - Nao Tem Jeito Que De Jeito
18. Nilton Cesar - A Namorada que Sonhei
19. Genival Santos - Coração de Plástico
20. "Faixa 11" - Artista Desconhecido (parece ser Luizito Gemma, mas não dá pra ter certeza)

20 de abril de 2010

História Insólita #3


Quando ele se mudou, a primeira coisa em que reparou, além da pintura descascando, do piso lascado, e do aspecto universalmente deprimente do prédio onde alugara uma kitnete, foi a vizinha. Não que se tratasse de uma garota-propaganda de cerveja, ou da próxima modelo internacional. Era uma mulher comum, uma face comum, por volta dos 30. Com uma aparência tão desbotada e amarelada quanto as paredes do prédio, parecia combinar perfeitamente com o local. A sensação é de que tudo fora colorido com os três ou quatro tons de ocre de um mesmo estojo de pastel seco.

Mas por algum motivo, quando ele a viu saindo da porta ao lado da sua, cruzando com ele enquanto voltava para a nova casa, algo especial se acendeu nele. Talvez por ela parecer tão sozinha e miserável quanto ele. Talvez pela completa falta de atrativos, o que confirmava a sua realidade - e acessibilidade. Ou, quem sabe, ele só estava tão solitário que qualquer objeto disponível para uma fantasia romântica encontraria um caminho fácil ao interior de seus pensamentos. Seja por que motivo for, apaixonou-se pela vizinha.

Não que tenha sido imediato. No princípio, ele estava plenamente cônscio da irrealidade da situação, uma vez que nunca havia sequer trocado um olhar com a mulher da porta ao lado. Duas semanas depois da mudança, ele a encontrou pela segunda vez. Presos do lado de fora do edifício por uma dedetização que o síndico resolvera levar a cabo sem avisar, trocaram meia dúzia de palavras. Falaram sobre o tempo, o trânsito, as baratas... em geral, comentários seguidos de uma reposta monossilábica. Liberada a entrada, cada um se encaminhou para a sua porta. Regado pelas fantasias prévias, esse breve encontro ganhou contornos bem mais significativos do que deveria ter, e o convenceu de que a vizinha poderia ser tudo aquilo que ele imaginava nas noites de insônia.

Passava as noites após o trabalho lendo, alguma revista em quadrinhos ou romance barato que conseguia comprar no sebo por menos que o troco do ônibus. Num de seus delírios, resolveu encostar a poltrona  na parede que dividia os dois apartamentos, numa tentativa quixotesca de estar o mais próximo possível da amada. E foi aí que fez uma descoberta.

As paredes finas do prédio o permitiam escutar o que se passava no cômodo ao lado. Maravilhado com a possibilidade de participar da vida da vizinha, ainda que apenas como ouvinte, largou a leitura e passou a se concentrar nos sons que ouvia. Eram vozes. Ininteligíveis, o som de pessoas conversando chegava ao ouvido dele como se fosse uma sinfonia. Vez ou outra, alguma palavra ou frase conseguia ser identificada, geralmente coisas banais como "Obrigado por ter vindo" ou "Vou buscar um café".

Tímido demais para buscar uma aproximação real, aquela sessão diária com os ouvidos colados na parede da kitinete era como viver uma outra vida, na qual ele se imaginava do outro lado da alvenaria fina. Por quase um mês ele insistiu nessa prática. Vibrava com cada palavra desconexa que conseguia entender, e estremecia quando ouvia uma voz masculina do outro lado da parede. Construiu um perfil da vizinha. Ela parecia ter uma vida social bastante agitada, sempre recebendo pessoas novas, pela variedade de vozes que ele conseguia identificar através da divisão. Contrastando com o local lúgubre onde moravam, os amigos da mulher ao lado pareciam bastante sofisticados. Algumas vezes, ele conseguiu ouvir "Londres", "Milão", e, numa noite particularmente silenciosa, captou uma acalorada discussão sobre vinhos.

Até que em uma noite, quando ponderava se deveria bater na porta da vizinha e, num movimento súbito e apaixonado, declarar sua devoção, ouviu uma conversa com outro tom. Apenas duas pessoas. Uma voz masculina gritava e era respondida por outra voz igualmente exaltada. Era evidentemente um casal brigando. Ele não conseguiu compreender nada do que era falado. Mas, quando os ânimos se arrefeceram, uma trégua no barulho do tráfego o permitiu ouvir o homem dizer: "mas você sabe que eu te amo".

Era isso. Estava tudo acabado. Ela tinha um namorado. Marido, talvez. Ele sabia que jamais teria coragem de chegar perto dela de novo. A possibilidade de rejeição era muito grande, e a timidez também. Afastou a poltrona da parede. Retomou a leitura dos romances baratos, sufocando a sua paixão platônica como o mais caricato dos heróis de folhetim. Encontraria outro alguém, algum dia.

Do outro lado da parede, naquela noite, assim como em todas as outras noites, a vizinha, completamente só, assistia à novela do Manoel Carlos.

16 de abril de 2010

As Obsessões e o Aproveitamento de Tempo

Há muitos e muitos anos, quando eu ainda assistia a filmes dublados na Tela Quente, assisti um filme no referido programa chamado "Sem Sentido". O filme é uma comédia idiota e não vale a pena ser comentado. Mas nesse filme havia um personagem (interpretado pelo Matthew "Salsicha" Lillard) que a cada semana aparecia com uma nova filosofia ou estilo de vida. Um dia ele era gótico, no outro budista, no outro asceta... vocês entenderam. E, numa cena, o protagonista fala pra ele: "Escolhe uma obsessão e fica com ela!"

Se tem algo de que eu me orgulho, é da minha capacidade de retirar informações úteis de situações completamente inúteis. Tudo bem, eu me orgulho de várias outras coisas e essa não é a maior delas, mas eu ainda acho que é uma boa habilidade, tá? O fato é que essa cena ficou marcada no meu subconsciente até ser despertada por duas coisas que eu vi hoje.

A primeira delas foi o site The Pirate King. Este sujeito, Rob Ossian, até onde eu descobri e até onde eu me permiti perder tempo lendo o site dele, trabalhava como ator em parques temáticos, andando fantasiado de pirata, cowboy, etc. Pra trabalhar como "personificador" de pirata (coisa que muita gente faria sem o menor critério), ele nutriu uma obsessão que o tornou um dos maiores especialistas em piratas do mundo. Ele assistiu a cada filme de pirata já produzido (inclusive os pornôs!), conhece termos de navegação moderna e do século XV, canções do mar e sabe comandar caravelas. É difícil de acreditar que isso tudo tenha sido obra de uma pessoa só. E hoje o cara é formado em arqueologia submarina e participou de várias expedições a navios naufragados.

A segunda foi o Projeto Tony Stark, do Thiago Borbolla (a.k.a. Borbs, a mente nerd maligna por trás do Judão). O objetivo do Borbs é sincronizar o seu PC, Mac, iPod, iPhone, e o escambáu para organizar os compromissos, indexar toda a informação que ele considerar importante e mantê-lo atualizado o tempo todo e em todos os lugares, acessar e comandar os computadores remotamente, dentre outras coisas do gênero. O tipo de coisa que leva tempo e requer uma dose considerável de esforço e organização para acontecer.

Sem questionar a utilidade ou necessidade de qualquer uma das duas iniciativas, o que é notável é o poder que a fixação em um determinado assunto tem, e o tipo de produto que essa fixação gera. Também por isso que os nerds estão dominando o mundo: a definição clássica de nerd é alguém que é fissurado em um  tema, acumula informação e aprende tudo sobre ele até se tornar um expert. E aí pode ser qualquer assunto. A imagem estereotípica do nerd é o cara no computador, vídeo-game ou loja de quadrinhos, mas um nerd pode voltar sua devoção a coisas como política, futebol, história ou mesmo pornografia (é, às vezes o cara é só nerd, não necessariamente tarado). É daí que saem os analistas políticos, os Galvões Buenos, e os Ralph Whittington.

O que eu quero dizer com isso tudo é que o conselho do filme imbecil vale para todos nós. Porque o tempo que você perde lendo sites sobre piratas ou delírios de hiperinformação poderia ser muito mais bem empregado se você escolhesse uma obsessão e ficasse com ela. Geralmente, essas pessoas fazem das suas obsessões seu meio de vida. É evidente que existem as obsessões inúteis, como coleção de tampinhas de garrafa (e a maior parte das coleções, se analisar bem), mas algumas podem se converter no seu ganha-pão. Ou você pode, se conseguir, converter o seu ganha-pão na sua obsessão.

O que é estranho é como algo que já foi considerado uma desvantagem ou mesmo uma doença passe a ser algo desejável no mundo atual. Nessa sociedade superespecializada em que nós vivemos, você precisa ter uma obsessão.

9 de abril de 2010

A História da Arquitetura e das Artes Através da Natureza

A BBC produziu, não sei quando (porque essas coisas costumam demorar horrores pra chegar até aqui. Talvez pela insistência do Discovery Channel em dublar todos os programas (daquele "jeitão Discovery" de dublar as coisas (que, aliás, faz tudo soar engraçado (melhor eu começar a voltar, já estou na quarta camada dos parênteses)))) um documentário chamado Vida. 

É mais um daqueles documentários com imagens impressionantes sobre a vida animal. A diferença é que este foi captado em alta definição. Como o sinal  da Discovery não é em alta definição, não há diferença. Aliás, descobri agora, depois de fuçar um pouco, que o sinal da tv a cabo é pior que o sinal digital da TV aberta. Pra ver TV em HD, vc tem que contratar os canais HD. Agora, alguém me explica porque deveríamos comprar algo que já deveria estar (e está) sendo oferecido de graça? É interessante que canais como o Discovery, em vez de procurar melhorar sempre o serviço, deixem o canal ficar obsoleto, para poder vender o DiscoveryHD como grande vantagem ou novidade, sendo que é apenas uma atualização tecnológica obrigatória. 

É assim, você leva a sua esposa em trabalho de parto ao hospital, e é informado que, ao pagar o preço regular pelo atendimento, tudo o que vc consegue é uma parteira, uma bacia de água quente e um lençol no corredor. Pra ter direito a um obstetra minimamente qualificado e uma maca, você tem que contratar o serviço do HospitalHD. E eu estava escrevendo isso pra soar absurdo, mas me lembrei que o caso do hospital acontece mesmo... e eu reclamando da TV HD. Mas divago.

Finalmente voltando ao assunto, assistindo o episódio de hoje (sobre peixes), comecei a pensar em todas aquelas aulas de história da arte que tive na faculdade, e como cada animal pode ser associado a um estilo ou período específico. Como hoje é dia de lista, sem muito critério e me deixando levar apenas pela lembrança nem sempre muito precisa das aulas, escolhi os meus representantes de cada período. Não é exatamente um top, mas aí vai - sintam-se livres para comentários ou correções:

Românico


Gótico


Renascentista


Barroco


Rococó


Eclético


Moderno


Minimalista


Impressionista


Construtivista


Op-art


Pop-art


Pós-Moderno


Para os estilos omissos, qual a sugestão?

7 de abril de 2010

Sexo com Gostosas

Esse post já está anotado no meu caderninho desde as férias, em janeiro. Não consigo imaginar porque, numa praia apinhada de gente, a palavra "gostosa" me veio à mente.

Com o espírito investigativo que me é peculiar, em vez de me prender à mera contemplação das pessoas que poderiam se encaixar em tal definição, passei a pensar em quão enganosa essa palavra é.

Acredito ser pertinente esclarecer que vejo o mundo sob uma ótica muito determinista, na qual nossas ações e conceitos não são aleatórios, mas determinados pelo meio e pela genética, e segundo a qual toda a nossa complexa cultura e organização social são meramente um reflexo das nossas primitivas programações biológicas. E um dos motivos que me levam a essa afirmação é que existe uma explicação evolutiva darwiniana para todas as nossas principais atitudes e escolhas-padrão.

E é por isso que a palavra "gostosa" é (ou pode ser) completamente enganosa. Afinal, a associação da palavra "gostosa", no sentido de "mulher sexualmente atraente", com os outros significados do mesmo adjetivo (prazeroso, agradável) nos leva à ilusão de que trepar com uma gostosa é gostoso.

Mas aí é que entra a biologia na história: é fato notório que o que faz com que uma mulher seja considerada gostosa é a quantidade e qualidade dos sinais biológicos que a referida criatura  nos dá de que seria uma boa genitora para a prole. Ora, nos dias correntes, gerar uma prole é o último dos objetivos a serem alcançados (e, na maioria das vezes, é a única coisa que se tenta evitar) através do ato sexual.

Logo, se uma mulher gostosa é uma mulher extremamente apta a atingir um objetivo que não estamos pretendendo atingir, por que diabos elas são tão valorizadas? Afinal de contas, vista por esse ângulo, a relação "sexo com gostosas é gostoso" não apresenta qualquer sustentação lógica.

Rotular um mulher como gostosa serve a muitos propósitos (desde a eleição de uma boa parceira para perpetuar a sua genética, até a escolha das ex-BBBs que posarão para a Playboy e as que não o farão), mas não tem qualquer implicância na qualidade do desempenho sexual da mesma.

A única vantagem real da gostosa é no pós-sexo, uma vez que eleva o status social do copulador entre os outros machos da espécie. Também por isso é conhecida a idéia de que comer uma gostosa não tem tanta graça se não puder contar pros amigos.

Mas deixando isso de lado, creio ser lícito afirmar que a gordinha da verruga no caixa do supermercado pode, para todos os fins práticos, ser muito mais gostosa que a Megan Fox.


*Nota sobre o título apelativo do post: há algum tempo, eu inscrevi esse blog num site que monitora a quantidade de visitas no blog, e de onde os visitantes vieram. O top de coisas involuntariamente assustadoras é o meu campeão de visitas, porque muita gente cai nele vinda do Google, procurando por "pessoas musculosas", "muscle freak" ou até mesmo "crianças musculosas". Apelei no título do post só de sacanagem com esses paraquedistas do Google...

1 de abril de 2010

Top de 5ª - As cinco coisas que não quero ver na páscoa

Hoje é quinta-feira santa, a época mais chocolática do ano chegando, e eu resolvo ressucitar o nosso top semanal que só aparece uma vez por mês. Assim como todo fim de ano tem retrospectiva ou eleição dos melhores em alguma coisa; assim como todo outono tem troca de coleções nas vitrines das lojas (como se aqui em Uberlândia a mudança de temperatura fosse mesmo tão drástica); e assim como todo natal tem reapresentação dos especiais de natal de quase todos os seriados que passam na TV e música da Simone tocando a torto e a direito, a páscoa também tem os seus clichês. Essas são as cinco coisas que não quero ver nem ouvir nessa páscoa (e que evidentemente não vou conseguir evitar de trombar com elas, ainda que de relance).

#5 - Gente dizendo que vai comer peixe porque não pode comer carne: é, né, os músculos dos peixes são formados por alface, aspargos e algas marinhas. Tradição é uma coisa, mas isso já virou tabu. E esse tabu é tão ridículo que uma vez, há uns dez anos, o meu irmão me repreendeu porque eu ia comer um salame e já era 00:05 da sexta-feira santa...

#4 - Gente dizendo que a páscoa "não é só chocolate": geralmente é algum padre entrevistado no jornal da TV  local (que poderia muito bem ser em rede nacional, uma vez que em todo lugar é a mesma coisa). Via de regra, essa religiosa pessoa vai fazer questão de lembrar a todos que o significado da páscoa não é só comer chocolate, embora todos saibam que é. Se não fosse, ninguém precisaria lembrar o contrário, né?

#3 - Notícias sobre o aumento do número de acidentes no feriado: essa eu até já ouvi esse ano, tarde demais pra colocar no top. Mas mesmo assim, preciso comentar. Diz-se em jornalismo que notícia é quando o homem morde o cachorro, e não o contrário. Ou seja, é preciso acontecer algo incomum para ser notícia. Portanto, aumento no número de acidentes no feriado não é notícia. Siga o raciocínio: acontecem acidentes na estrada todos os dias. O número de acidentes é proporcional ao número de carros. Todo feriado, aumenta o número de carros trafegando nas estradas. Se o número de carros aumenta, aumenta o número de acidentes. A menos que exista algo de incomum no fato de que dois mais dois são quatro, uma simples regra de três resolveria matematicamente o espanto pelo aumento nos acidentes. Mas fazer o quê, se matemática não dá audiência? Família morta e passageiro de ônibus esmagado dão.

#2 - Filmes religiosos: seja aquela já manjada e tri-reprisada produção (bem feita) com o Gary Oldman sendo o Pilatos, ou o filme do Padre Marcelo, filmes sobre a vida de Jesus são figurinha carimbada nessa época, mas sempre com o mesmo viés devoto, respeitoso e careta. O maior exemplo de ousadia seria algum canal passar A paixão de Cristo do ultracatólico Mel Gibson - filme que eu acho um lixo, mas ainda assim tem uma certa polêmica envolvida. O que eu queria ver era um emissora com os colhões necessários para passar A Vida de Brian, do Monty Python, A Última Tentação de Cristo, do Scorcese, ou mesmo um mais inocente (mas mesmo assim incomum) Jesus Cristo Superstar.

#1 - Alguém dizendo que Jesus morreu na cruz e RESSUSCITOU DEPOIS DE TRÊS DIAS: primeiro porque nos quatro evangelhos canônicos, Jesus ressuscitou ainda no sábado. Não sei se é erro de tradução se referirem à madrugada de sábado para domingo como "o fim do sábado", visto que os Judeus tradicionalmente consideravam o pôr-do-sol como o início do dia, mas o fato é que todas as traduções da bíblia usam o termo "sábado". Ninguém contava o início do dia à meia noite naquela época. Se ele ressuscitou de madrugada (assumindo que ele tenha ressuscitado), de sábado para domingo, tendo morrido no meio da tarde de sexta, ele ficou só dois dias morto! Dizer que passaram três dias porque ele morreu no meio da tarde de sexta, ficou o sábado morto e ressucitou antes do nascer do sol de domingo, é o mesmo que tomar banho das 23:50 do dia 31 de dezembro às 00:05 do dia 1 de janeiro e dizer que passou um ano tomando banho! Novamente, a matemática anda fazendo falta...
 
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