3 de dezembro de 2009

Top de 5ª - Top 5 Tipos de pessoas que mais me irritam

Andei furando as últimas semanas, não tenho estado muito inspirado para listas. Pra não perder o costume, saquei do meu velho caderninho de anotações uma lista já antiga, que eu fiz quando estava ameaçando voltar a escrever.

Eu não sou o tipo de sujeito irritadiço. Vejo o mundo com um certo pessimismo - tá, não chego a ser um Saramago, mas sou bem pessimista - mas geralmente sou mais do estilo Let it be. Ainda assim, existem algumas coisas e, principalmente, pessoas que me fazem descer rápido a um estado de irritação profunda. É como kryptonita: quanto maior o tempo de exposição, mais baixo eu desço. Aí vão elas, as kryptonitas do meu estado zen, da que age mais devagar para a de ação mais rápida:

#5 Gente superior intelectualmente - Não que eu odeie o Stephen Hawking, ou o Lewis Mumford, eu preciso deixar um pouco mais claro: eu me irrito com gente intelectualmente superior que sabe disso e faz questão de demonstrá-lo. Às vezes nem é preciso que o cara seja tão inteligente assim, basta fingir que é, com competência. Em resumo, eu me irrito com gente com habilidade para ser um bom P.I.M.B.A. Eu preciso admitir: eu sou um cara vaidoso. Posso não ser um gênio, mas não estou entre os mais burros que eu conheço, e tenho orgulho disso. Quando eu me deparo com um cara desses, meu orgulho fica ferido, porque 1) eu não sou mais inteligente que ele; ou 2) ele parece mais inteligente que eu. Ainda bem que até hoje eu só conheci uma pessoa assim - e depois de um tempo longo de exposição, acabei atirando uma lata de refrigerante na cabeça dele.

#4 Gente ignorante que se acha intelectualmente superior - esse caso é muito pior, porque geralmente a pessoa é tão burra que não consegue compreender o quão burra ela é, e acha que os outros é que são os asnos. O irritante é que é impossível argumentar com uma pessoa dessas, sobre o que quer que seja. A discussão sempre vai para um beco sem saída do tipo "porque é assim e pronto" ou "porque deus disse que". E como não há argumento racional contra premissas imutáveis (ainda que errôneas) a criatura sai com aquela cara de triunfo, achando que ganhou a discussão.

#3 Gente boçal que se dá bem sem fazer esforço enquanto você se ferra tentando fazer as coisas bem feitas. Às vezes por serem bem nascidos, às vezes por terem bons contatos, às vezes por dar sorte. Mas as piores vezes são quando o prêmio vem pela mediocridade. O mundo é um local medíocre por definição. Não existe grupo de pessoas mais numeroso que o dos medíocres. Dentre estes, um subgrupo muito representativo é o dos medíocres que não se acham medíocres - e eles sempre se reconhecem. E também não se acham medíocres uns aos outros, de modo que temos toda uma classe de gente medíocre se considerando acima da mediocridade geral, caindo nas graças de outros medíocres por fazer um trabalho medíocre (quando não no limite mais baixo da mediocridade), que aos medíocres olhos parece algo absolutamente excelente. Patético.

#2 Gente que joga lixo na rua - é algo tão simples, todo mundo já ouviu isso: jogue o lixo no lixo; se não houver lixeira por perto, espere até encontrar alguma. De tanto falarem nisso, é impossível que a pessoa não se toque que está sujando um espaço que ela também usa. O que nos leva a outra característica inerente a esta criatura desprezível: ela não se importa com a sujeira. Ela acha algo natural circular por uma rua cheia de flyers "Compro Ouro", e nem nota quando as ruas estão limpas após a passagem dos garis - pagos com dinheiro do contribuinte para fazer um serviço que não precisaria ser feito se as pessoas fossem mais educadas. Toda vez que eu vejo alguém jogar um pacote de biscoito pela janela do ônibus, eu aperto a barra com mais força e solto um grunhido surdo, pra não ceder a uma sanha assassina, agarrar o sujeito pelo colarinho e estapeá-lo até a morte no melhor estilo pede-pra-sair.

#1 Gente que circula pela rua com o som do carro no volume máximo - mereceu o primeiro lugar por três motivos. Primeiro, pelo mau gosto. Nunca ouvi ninguém sair com o carro "trincando vidraças" ouvindo Chopin. Ou mesmo Beatles. Não, é sempre um rap/hip-hop de péssima qualidade, um remix da moda - que inevitavelmente vai ter a "assinatura" do DJ responsável no meio (DJ Tibúrcio - é P-p-p-p-pancadãããão!) ou o último sucesso de axé ou sertanejo. Em segundo, pela poluição. Não apenas sonora. Ou vocês acham que quem põe o som do carro em volume de abafar trio elétrico está indo visitar a tia no hospital? Não, senhoras e senhores, ele está passeando! Circula pelas ruas bem devagar, para exibir a potência do panelão no porta-malas do chevette (sendo que com o investimento no som ele poderia tê-lo trocado por um carro melhor, mas ok), e não contente em passar uma vez, o meliante vai e volta várias vezes pela mesma rua, inundando a atmosfera com monóxido de carbono. E em terceiro, mas principalmente, pela invasão. Eu me importo com a rua suja, com os P.I.M.B.A., com os ignorantes e com as injustiças do mercado de trabalho, mas disso tudo eu posso me refugiar em casa.
O panelão do maloqueiro no chevette é algo de que eu não consigo fugir. Um dia eu ainda arrumo um bodoque pra ficar na janela dando bordoada nesses malditos!

Um comentário:

fabi, uma das unicas leitoras disse...

tipo de pessoa que me irrita aqui em Londres: maes com carrinhos de bebes - essa categoria de pessoa acha que empurrar o carrinho sobre o que ou quem quer que esteja na frente equivale a um "excuse-me".
eu estou falando serio.

 
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