24 de dezembro de 2009

Top de 5ª - Top 10 melhores discos de 2009

Esse assunto vai render ainda mais um post, pelo menos, só pra explicar os critérios de escolha (e, principalmente, de corte). Ainda assim, posso adiantar duas coisas: 1 - obviamente, eu não escutei todos os discos lançados nesse ano que está quase no fim, então essa lista engloba uma seleção apenas dos discos que foram avaliados; 2 - eu estava achando difícil conseguir um top 5 até bem pouco tempo atrás, e de repente eu apareço com uma lista de 10 discos com direito a menções honrosas. O que aconteceu, o critério baixou, ou eu consegui achar o que procurava? Não sei ao certo, talvez as duas coisas. Mas acho que o mais correto é dizer que eu parei de procurar algo, e isso me deixou mais aberto a aceitar e curtir o que aparecia. Sem mais, vamos à lista:

#10 - Carrie Underwood: Play On - Ao contrário das versões Tupiniquins, os programas do tipo American Idol realmente revelam talentos nos Estados Unidos. Ou, ao menos, os artistas revelados tem uma sobrevida maior que os meros 15 minutos de fama. Vide Kelly Clarkson e Brooke White por exemplo. Carrie Underwood, revelação da 4ª edição do programa, em 2005, é outro bom exemplo. Play On é o terceiro disco de estúdio da cantora, que desde que venceu o American Idol já vendeu aproximadamente 10 milhões de cópias de discos. Não sem motivo. Carrie é uma excelente cantora, com uma voz (e, também, um sotaque) que se encaixa bem na sua proposta: música country com uma roupagem pop atual. A produção do disco é impecável, e, apesar de comercial, tem tudo o que é preciso para trazer um novo fôlego a um gênero tão saturado e previsível quanto a música country.

#9 - Lynyrd Skynyrd: God & Guns - Pra definir o disco de um jeito bem direto: o bom e velho rock sem firula. Nada de elementos eletrônicos, sintetizadores, ou referências vintage dos anos 80. Até porque Lynyrd Skynyrd é uma banda setentista que morreu e retornou após um hiato que durou toda a década de 80. Se as canções soam um pouco datadas, é porque a banda já tem 40 anos de estrada, e continua fiel às suas origens. Resumindo: o disco é um presente pra quem aprecia um southern rock bem tocado, e não tem qualquer pretensão de parecer cult ou "moderninho".

#8 - Yusuf: Roadsinger - Assim como a conversão de Cassius Clay ao Islã e a adoção do nome Muhammad Ali não impediu o boxeador de continuar nocauteando seus adversários, a conversão do artista que já foi conhecido como Cat Stevens e hoje se chama Yusuf Islam (artisticamente, apenas Yusuf) não acabou com a habilidade do cantor e compositor em escrever belas canções. É um disco de melodias rápidas, fáceis, e arranjos simples, mas muito agradáveis e bonitos: nada sobra nem falta em nenhuma das 11 faixas.

#7 - Ben Harper and Relentless7: White Lies for Dark Times - Apesar de eu não ser muito fã do Ben Harper, tenho de admitir que ele sabe dar o tom certo às músicas: cantar alto quando a música pede, e ser suave numa balada mais lenta. E a voz dele soa muito bem em ambos os casos. Esse disco é um exemplo dessa capacidade de Harper. A banda que o acompanha, a Relentless7, também não fica devendo na parte instrumental, e conduz Ben Harper um pouco para fora da esfera das baladas melodiosas, inserindo uma pegada mais roqueira no disco. Um trabalho exemplar.

#6 - Jet: Shaka Rock - Um dos primeiros discos a entrar pra esta lista, o Jet é uma das minhas apostas para a próxima década (que na minha contagem começa daqui a 7 dias) por um motivo bem simples: Jet soa como uma banda dos anos 90. E como eu já disse aqui, com a década de 90 chegando à maioridade, a tendência é que os estilos e influências característicos do período sejam resgatados. E já começaram a pipocar bandas com pitadas de britpop, como o próprio Jet, Stereophonics, Arctic Monkeys ou o Kasabian (este último, uma decepção, mas disso eu falo no outro post). O que Shaka Rock traz é um disco que lembra  muito o Oasis, mas puxando para um lado mais punk-pop (outra vertente dos '90), lembrando Green Day ou Offspring nos seus bons tempos. O engraçado é que o disco que o próprio Green Day lançou esse ano (21st Century Breakdown) não conseguiu entrar na minha lista...

#5 - Charlie Winston: Hobo - Música pop atual, com uma sonoridade e uma voz que lembra os ídolos antigos do Jazz. Pensou em Amy Winehouse? Pois é, esse tipo de música já se apresenta como um segmento de mercado, disputado por gente como Adele, Chrisette Michele e a própria Amy. Até onde eu sei, Charlie Winston é o primeiro homem a se inserir na área, e em vez de seguir o fluxo, traz novas contribuições ao estilo. Hobo se apresenta como um trabalho coeso, bem acabado. Não ouvi o disco de estréia do cantor, lançado em 2007, mas sempre acho positivo quando o segundo disco chama mais atenção que o primeiro. Artistas que levantam uma hype muito grande logo no primeiro single tendem a decepcionar nos discos posteriores. Pelo menos por isso, Charlie Winston parece ter futuro dentro de um segmento relativamente novo e com muitas possibilidades do mercado musical.

#4 - Arctic Monkeys: Humbug - Muitos fãs da banda não gostaram, talvez com razão: eu não sou fã da banda, não gostei do primeiro disco, e adorei este. O primeiro disco, hype da internet em 2005/06 e aclamado pela crítica, me incomodou. Não era um trabalho ruim, pelo contrário, era muito competente em fazer um barulho comparável ao punk pesado dos anos 70, mas justamente por ser barulhento e pesado, me desagradou, e não passou pela prova da segunda audição. Humbug é bem diferente, parece que a banda tirou um pouco o pé e prestou mais atenção à melodia em detrimento da velocidade e intensidade. Um disco que mostra um amadurecimento (talvez) e representa uma mudança boa no rumo da banda (talvez).

#3 - Leonard Cohen: Live in London - "Ah, peraí! Colocar um disco ao vivo ou coletânea de sucessos ao lado de álbuns de estúdio é covardia!" Sim, é covardia, mas é só por ser um disco ao vivo E uma coletânea de sucessos que este disco está no terceiro lugar da lista. Não fosse por isso, estaria em primeiro. E de qualquer forma, Leonard Cohen é uma covardia mesmo. Mas em minha defesa, só tenho a dizer que uma das características essenciais de um bom disco é provocar em quem ouve a vontade de querer ouvir mais daquele cantor/banda ou daquele estilo. Este disco fez mais. Me fez querer SER Leonard Cohen. Como dizia um dos comentários num vídeo dele no YouTube: "como é possível que um homenzinho baixinho com 74 anos possa ter tanto carisma? E a voz, meu Deus, aquela voz!"

#2 - John Mayall: Tough - John Mayall é um desses artistas veteranos que, de tão veteranos, a gente, que é mais novo, nem conhece. Ainda mais se você não for muito aficionado ao blues. Mas o fato é que a carreira do britânico John Mayall já passa dos 50 anos, e o senhor de 76 anos exibe ainda uma excelência e energia invejáveis a muitos músicos mais jovens que ele. O que deve incluir a maioria dos músicos de blues em atividade. O nome do disco diz muito: nada de pijama e pantufas para John Mayall, ele continua um cara durão (tough). Considerado um mestre por gente como Eric Clapton e Peter Green, o guitarrista blueseiro mostra em Tough porque merece ser alvo de tantos elogios.

#1 - Bob Dylan: Together Through Life - Muita gente não gostou. Acharam pouco. Alguns críticos torceram o nariz. A voz de Dylan já foi comparada à de "um sapo com laringite". Mas dane-se, ainda é Bob Dylan! E em ótima forma. Ignorando (criminosamente, eu sei) o contexto histórico e a cena musical vigente agora e na época, pode-se dizer que Together Through Life não fica devendo nada aos discos que fizeram de Dylan a lenda viva que é hoje. Não é um disco revolucionário, não tem uma mensagem política, a contra-cultura já acabou (?), o folk e o rock'n'roll cederam espaço para o blues na música de Dylan, e ainda assim, não há uma música ruim no álbum. Mas porque deveria haver? Por ser um disco com influências do blues, fora do habitual para aquele Dylan histórico? A marca de um grande artista é justamente conseguir fazer o melhor em qualquer situação, e é isso que Dylan faz nesse álbum. Assim como hoje eu escuto Highway 61 Revisited após mais de 40 anos do lançamento, esse é um disco que poderá ser apreciado sem reservas mesmo depois de muito tempo e muitas repetições.

Menções honrosas: Elvis Costello - Secret Profane And Sugarcane; Pomegranates - Everybody, Come, Outside (um excelente disco de indie rock); Nando Reis - Drês (a qualidade de sempre do Nando); e Iggy Pop - Preliminaires (apenas pelo inesperado de ouvir Iggy Pop cantando coisas como How Insensitive).

E essa é a minha lista! Assim que a minha hospedagem de arquivos de áudio parar de dar erro, eu atualizo uma playlist com o melhor dos melhores de 2009. Nos comentários, há uma lista com os outros discos concorrentes.

3 comentários:

Diogo de Lima disse...

Além dos que entraram na lista, participaram do processo de escolha:

Neil Young - Fork In The Road
Nashville Pussy - From hell to Texas
Chickenfoot - Chickenfoot
Chris Isaak - Mr. Lucky
Green Day - 21st Century Breakdown
Kelly Clarkson - All I Ever Wanted
Ney Matogrosso - Beijo Bandido
Arnaldo Antunes - Iê Iê Iê (um disco cheio daquelas músicas do Arnaldo que a gente vai adorar ouvir na voz de outros cantores)
Yeah Yeah Yeahs - It's Blitz!
Grizzly Bear - Veckatimest
The Asteroids Galaxy Tour - Fruit
Dave Matthews Band - Big Whiskey And The Groogrux King
Luiza Possi - Bons Ventos Sempre Chegam
Dream Theater - Black Clouds & Silver Linings
Martina McBride - Shine
Cidadão Instigado - Uhuu!
Mixtape - O Tormento do Tempo
Ida Maria - Fortress Around My Heart
Pete Yorn & Scarlett Johansson - Break Up
Kasabian - West Ryder Pauper Lunatic Asylum
Joe Perry - Have Guitar, Will Travel
Manic Street Preachers - Journal For Plague Lovers
The Mars Volta - Octahedron
Brooke White - High Hopes & Heartbreak
Caetano Veloso - Zii e Zie
Pullovers - Tudo que Eu Sempre Sonhei
Franz Ferdinand - Tonight Franz Ferdinand
Ian Gillan - One Eye To Morocco
The Veils - Sun Gangs
Joss Stone - Colour Me Free
The Gathering - The West Pole
Madness - The Liberty of Norton Folgate
The Noisettes - Wild Young Hearts
The Pines - Tremolo
Desvio Padrão - Desvio Padrão
Mark Knopfler - Get Lucky
Chrisette Michele - Epiphany

E mais uma porção que foram eliminados após duas ou três músicas, sem nem ter direito a uma segunda audição.

Diogo de Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Diogo de Lima disse...

Ah, e também tivemos o disco auto-intitulado do Them Crooked Vultures. Não gostei.

 
BlogBlogs.Com.Br