31 de dezembro de 2009

Top de 5ª - O melhor da tosqueira musical em 2009

E chegamos ao último post do ano! Que bom, que esse ano se vá e traga um melhor no lugar, acho que todo o mundo está precisando.

Último post, última lista do ano e com um quê de retrospectiva. Esse ano não foi um grande ano para a música, então, se foi difícil fazer uma lista com os melhores lançamentos, não foi difícil escolher os piores. Com vocês, os príncipes da tosqueira musical no Brasil em 2009:

#5 - Sexy Dolls - Pelo conjunto da obra (?). Imagine que três atrizes pornô - um ramo onde o talento é tudo, onde alguém que não seja daquelas atrizes à moda antiga (que sabiam cantar, dançar, sapatear e representar ao mesmo tempo) não consegue entrar - se unam para montar um grupo musical. O resultado fala por si só, eu não preciso nem zoar muito, e é essa bomba aqui embaixo.



#4 - Stephany do Cross Fox - Pra quem não sabe, existe um todo um submundo das versões forró/calipso/tecnobrega de músicas estrangeiras. Artistas que vão de Scorpions a James Blunt e Britney Spears já foram... (pigarro) ...traduzidos por grupos como Forró Chapolândia ou Calcinha Preta. Mas o que bombou esse ano foi a versão de A Thousand Miles, da Vanessa Carlton, que foi genialmente "traduzida" para... Eu sou Stephany (no meu Crossfox). Sim, com direito a nome alternativo entre parênteses*. A propaganda para a Volkswagen pode não ter sido muito boa (uma vez que agora todo bregolino vai ter o Crossfox como sonho de consumo, resultando na desvalorização do mesmo), mas para Stephany o vídeo já serviu para descolar um lugar no reality show A Fazenda 2.



#3 -Vitória Matos: Kombi Branca - e as homenagens automobilísticas ganharam espaço! Pra quem curte um som mais vintage, o Crossfox não está com nada, o bom mesmo é o velho Kombão! Vocês já viram um cantor cantar tão mal que prejudica o trabalho do back vocal? Fiquei ciente dessa pérola graças à atenta vigilância do meu querido irmão ao GTO. Eu não sei o que é pior, se é o local, a feiúra da "cantora" (pigarrus maximus), as cenas reaproveitadas, ou o fato de, no final, ela dublar um HOMEM cantando no lugar dela, por não ter conseguido levar a... (hesito em dizer a palavra) ...música até o fim.



#2 -Asusana & Alíbera - Elas não começaram a fazer isso esse ano, mas ainda assim, merecem um lugar de honra aqui. Asusana e Alíbera, duas devotas de Inri Cristo, continuam a fazer as suas "versões místicas" de sucessos internacionais, para levar ao mundo a mensagem do POOOAAAIII . Difícil escolher entre o variado cardápio que nos é apresentado aqui, incluindo Amy Winehouse, Madonna e até The Eye of The Tiger. Esta maravilha aqui embaixo é uma vesão da Lady Gaga... isso non ecziste!



#1 - Cine: Garota Radical - Fica em primeiro lugar porque não só é ruim como também é sério! Garota radical? Radical? Quem é que fala "radical" hoje em dia? Isso tem uma cara de "tio da sukita" tentando parecer jovem... porque não "garota supimpa"? Ou "broto brasa"? Morô? A coisa quer tanto parecer moderninha que só pode ter um espírito muito velho. Como não dá pra incorporar o clipe aqui, deixo o link pra quem se aventurar a assistir. Mas aviso que até o Dominó sentiria vergonha alheia vendo isso.

E Feliz 2010 a todos!

*Eu sempre quis escrever uma música com título alternativo. E ela iria se chamar "Eu Sempre Quis Escrever Uma Música com Título Alternativo (Como Essa Aqui)".

Considerações sobre uma lista excepcionalmente difícil de fazer


Pra encerrar o ano, e também encerrar essa onda de posts sobre música, hoje vou tentar publicar dois posts sobre o assunto: esse, e o top de 5ª com os piores lançamentos de 2009. Mas uma coisa de cada vez.

Voltando alguns meses no tempo, eu publiquei aqui uma lista com os melhores discos que eu ouvi entre 2007/2008/2009. E deixei de fora o disco do Leonard Cohen, porque era um disco de 2009, e achei que ele se enquadraria melhor em outra categoria. Desde então, comecei a selecionar os destaques e rever as resenhas de discos desde o início do ano, ouvindo tudo o que podia, para elaborar uma lista com justiça (lembram da regra #1? Com a infinidade de lançamentos em 2009, não dava pra eu selecionar uma lista a partir de meia dúzia de discos).

Três meses e mais de 50 discos depois, aprendi algumas coisas sobre o mercado musical. Uma delas é que se você quer realmente saber do que um disco é feito, pule direto para a terceira faixa. A faixa de abertura invariavelmente vai fazer você dar mais crédito à banda do que ela merece. Eu disse que tinha evitado selecionar pra playlist as faixas de abertura ou músicas de trabalho, mas, analisando melhor, uma boa parte das músicas selecionadas são faixas de abertura: é inevitável, muitas vezes elas são muito superiores às outras (incluindo as músicas de trabalho).

Outra coisa (e isso não é novidade nenhuma, mas ficou extremamente claro) é que tem se tornado mais difícil distinguir os verdadeiros artistas e criadores de tendência dos que simplesmente pegam carona. Hoje é tudo tão rápido que (1) os verdadeiros artistas são copiados quase que concomitantemente ao lançamento, ou (2) não existem mais artistas que se inspiram em qualquer coisa, só identificadores de tendência de mercado que catam as referências e estilos com maior potencial de aceitação e jogam isso nos discos. Acho que é um pouco dos dois.

Vejamos o exemplo mais claro: qual é a menina dos olhos da indústria musical atualmente? Retirado de uma resenha, por ser a definição mais resumida de todo o "movimento": "misturar guitarras distorcidas, batidas eletrônicas e elementos vintage: Rock com Dance em embalagem retrô". Só esqueceram de falar que os sintetizadores voltaram também. 8 entre 10 das bandas aclamadas pela crítica seguem essa fórmula - inclua aí nomes como Franz Ferdinand, Yeah Yeah Yeahs, Arctic Monkeys, The Horrors, The Noisettes e mais uma porrada de gente. Está até difícil dizer qual é a cara da música dos anos 2000, porque a onda de soar vintage foi tão forte que às vezes não dá pra dizer se a música é atual ou se é dos 80 mesmo. O disco desse ano do The Horrors (Primary Colours) é assim. Outro disco de 2009 nessa onda é o do Papercuts (chegaram ao ponto de arranjar um órgão Hammond velho só pra soar como nos anos 60).

Além disso, também temos todo um esforço de gente talentosa, mas que perde a oportunidade de fazer algo que seja realmente bacana de se ouvir, só pra tentar soar moderninho, eletrônico, antenado, etc. Caso das garotas curitibanas do Mixtape, que poderiam fazer algo legal, e soam como um filhote remixado de Kid Abelha com NXZero. Ou o Kasabian, que não se decide pra que lado vai, se quer ser um rock revival do britpop ou se quer ser um grupo de música eletrônica. O disco que eles lançaram esse ano é praticamente esquizofrênico: alterna uma música num estilo, a próxima no outro, e não deve agradar nenhuma das duas audiências. Talvez seja por isso que esse disco bipolar se chame West Ryder Pauper Lunatic Asylum.

E aí eu cheguei num dileminha bem sacana, e que resultou na dificuldade de elaborar a lista dos melhores de 2009: eu deveria indicar os discos como os melhores de 2009 por estarem melhor inseridos no espírito de 2009, por representarem melhor ou por serem mais competentes em fazer o que se faz hoje em dia, mesmo não sendo o que eu gosto de ouvir? Como separar o ouvinte apaixonado por música do crítico musical (que geralmente precisa ser um cara atual/atualizado)?

Foi nesse ponto que eu lembrei que eu não sou um crítico musical! Então desencanei e fiz a lista com o que eu realmente gostei de ouvir esse ano. E descobri outra coisa: tem muita coisa boa sendo feita, mas eu gosto muito pouco delas. Por isso, numa lista de 10 discos/artistas temos nada menos que 5 com mais de 30 anos de carreira. Quatro deles já com mais de 60 anos.

Resumindo: escrever sobre música é difícil, deu um trabalho do caramba, eu tive de ouvir muita coisa ruim pra achar meia dúzia de discos que prestam, e não pretendo repetir a dose tão cedo. Cansei da atualidade, prefiro continuar nos anos 70.

27 de dezembro de 2009

Playlist #2


Conforme prometido, aí está a playlist atualizada com as músicas de amostra de cada disco escolhido como um dos melhores de 2009. Evitei pegar as músicas de trabalho ou faixas de abertura, que geralmente são as mais bem produzidas e são as que tocam nas rádios e etc. Foram escolhidas duas músicas de cada disco, e a lista não segue a ordem de clasificação - como se trata de uma coleção muito eclética, eu tentei montar a lista de forma a não ter nenhuma mudança muito súbita de estilo ou intensidade. Mesmo assim, não estranhem as variações, juntar Lynyrd Skynyrd com Yusuf e Charlie Winston na mesma lista não é tarefa fácil.

1. Lynyrd Skynyrd - Still Unbroken
2. Lynyrd Skynyrd - Southern Ways
3. Carrie Underwood - Cowboy Casanova
4. Carrie Underwood - Song Like This
5. Ben Harper and Relentless7 - Number With no Name
6. Ben Harper and Relentless7 - Why Must You Always Dress in Black
7. Jet - She's a Genius
8. Jet - La Di Da
9. Arctic Monkeys - My Propeler
10. Arctic Monkeys - Cornerstone
11. John Mayall - Train to My Heart
12. John Mayall - The Sum of Something
13. Charlie Winston - Like a Hobo
14. Charlie Winston - My Life as a Duck
15. Yusuf - Welcome Home
16. Yusuf - Everytime I Dream
17. Leonard Cohen - Hey, That's no Way to Say Goodbye
18. Leonard Cohen - I'm Your Man
19. Bob Dylan - Life Is Hard
20. Bob Dylan - I Feel a Change Comin' On

E como eu já disse, a playlist #1 ainda pode ser encontrada no post de origem.

Editado em 01/02/2010: playlist substituída e movida pra cá.

24 de dezembro de 2009

Top de 5ª - Top 10 melhores discos de 2009

Esse assunto vai render ainda mais um post, pelo menos, só pra explicar os critérios de escolha (e, principalmente, de corte). Ainda assim, posso adiantar duas coisas: 1 - obviamente, eu não escutei todos os discos lançados nesse ano que está quase no fim, então essa lista engloba uma seleção apenas dos discos que foram avaliados; 2 - eu estava achando difícil conseguir um top 5 até bem pouco tempo atrás, e de repente eu apareço com uma lista de 10 discos com direito a menções honrosas. O que aconteceu, o critério baixou, ou eu consegui achar o que procurava? Não sei ao certo, talvez as duas coisas. Mas acho que o mais correto é dizer que eu parei de procurar algo, e isso me deixou mais aberto a aceitar e curtir o que aparecia. Sem mais, vamos à lista:

#10 - Carrie Underwood: Play On - Ao contrário das versões Tupiniquins, os programas do tipo American Idol realmente revelam talentos nos Estados Unidos. Ou, ao menos, os artistas revelados tem uma sobrevida maior que os meros 15 minutos de fama. Vide Kelly Clarkson e Brooke White por exemplo. Carrie Underwood, revelação da 4ª edição do programa, em 2005, é outro bom exemplo. Play On é o terceiro disco de estúdio da cantora, que desde que venceu o American Idol já vendeu aproximadamente 10 milhões de cópias de discos. Não sem motivo. Carrie é uma excelente cantora, com uma voz (e, também, um sotaque) que se encaixa bem na sua proposta: música country com uma roupagem pop atual. A produção do disco é impecável, e, apesar de comercial, tem tudo o que é preciso para trazer um novo fôlego a um gênero tão saturado e previsível quanto a música country.

#9 - Lynyrd Skynyrd: God & Guns - Pra definir o disco de um jeito bem direto: o bom e velho rock sem firula. Nada de elementos eletrônicos, sintetizadores, ou referências vintage dos anos 80. Até porque Lynyrd Skynyrd é uma banda setentista que morreu e retornou após um hiato que durou toda a década de 80. Se as canções soam um pouco datadas, é porque a banda já tem 40 anos de estrada, e continua fiel às suas origens. Resumindo: o disco é um presente pra quem aprecia um southern rock bem tocado, e não tem qualquer pretensão de parecer cult ou "moderninho".

#8 - Yusuf: Roadsinger - Assim como a conversão de Cassius Clay ao Islã e a adoção do nome Muhammad Ali não impediu o boxeador de continuar nocauteando seus adversários, a conversão do artista que já foi conhecido como Cat Stevens e hoje se chama Yusuf Islam (artisticamente, apenas Yusuf) não acabou com a habilidade do cantor e compositor em escrever belas canções. É um disco de melodias rápidas, fáceis, e arranjos simples, mas muito agradáveis e bonitos: nada sobra nem falta em nenhuma das 11 faixas.

#7 - Ben Harper and Relentless7: White Lies for Dark Times - Apesar de eu não ser muito fã do Ben Harper, tenho de admitir que ele sabe dar o tom certo às músicas: cantar alto quando a música pede, e ser suave numa balada mais lenta. E a voz dele soa muito bem em ambos os casos. Esse disco é um exemplo dessa capacidade de Harper. A banda que o acompanha, a Relentless7, também não fica devendo na parte instrumental, e conduz Ben Harper um pouco para fora da esfera das baladas melodiosas, inserindo uma pegada mais roqueira no disco. Um trabalho exemplar.

#6 - Jet: Shaka Rock - Um dos primeiros discos a entrar pra esta lista, o Jet é uma das minhas apostas para a próxima década (que na minha contagem começa daqui a 7 dias) por um motivo bem simples: Jet soa como uma banda dos anos 90. E como eu já disse aqui, com a década de 90 chegando à maioridade, a tendência é que os estilos e influências característicos do período sejam resgatados. E já começaram a pipocar bandas com pitadas de britpop, como o próprio Jet, Stereophonics, Arctic Monkeys ou o Kasabian (este último, uma decepção, mas disso eu falo no outro post). O que Shaka Rock traz é um disco que lembra  muito o Oasis, mas puxando para um lado mais punk-pop (outra vertente dos '90), lembrando Green Day ou Offspring nos seus bons tempos. O engraçado é que o disco que o próprio Green Day lançou esse ano (21st Century Breakdown) não conseguiu entrar na minha lista...

#5 - Charlie Winston: Hobo - Música pop atual, com uma sonoridade e uma voz que lembra os ídolos antigos do Jazz. Pensou em Amy Winehouse? Pois é, esse tipo de música já se apresenta como um segmento de mercado, disputado por gente como Adele, Chrisette Michele e a própria Amy. Até onde eu sei, Charlie Winston é o primeiro homem a se inserir na área, e em vez de seguir o fluxo, traz novas contribuições ao estilo. Hobo se apresenta como um trabalho coeso, bem acabado. Não ouvi o disco de estréia do cantor, lançado em 2007, mas sempre acho positivo quando o segundo disco chama mais atenção que o primeiro. Artistas que levantam uma hype muito grande logo no primeiro single tendem a decepcionar nos discos posteriores. Pelo menos por isso, Charlie Winston parece ter futuro dentro de um segmento relativamente novo e com muitas possibilidades do mercado musical.

#4 - Arctic Monkeys: Humbug - Muitos fãs da banda não gostaram, talvez com razão: eu não sou fã da banda, não gostei do primeiro disco, e adorei este. O primeiro disco, hype da internet em 2005/06 e aclamado pela crítica, me incomodou. Não era um trabalho ruim, pelo contrário, era muito competente em fazer um barulho comparável ao punk pesado dos anos 70, mas justamente por ser barulhento e pesado, me desagradou, e não passou pela prova da segunda audição. Humbug é bem diferente, parece que a banda tirou um pouco o pé e prestou mais atenção à melodia em detrimento da velocidade e intensidade. Um disco que mostra um amadurecimento (talvez) e representa uma mudança boa no rumo da banda (talvez).

#3 - Leonard Cohen: Live in London - "Ah, peraí! Colocar um disco ao vivo ou coletânea de sucessos ao lado de álbuns de estúdio é covardia!" Sim, é covardia, mas é só por ser um disco ao vivo E uma coletânea de sucessos que este disco está no terceiro lugar da lista. Não fosse por isso, estaria em primeiro. E de qualquer forma, Leonard Cohen é uma covardia mesmo. Mas em minha defesa, só tenho a dizer que uma das características essenciais de um bom disco é provocar em quem ouve a vontade de querer ouvir mais daquele cantor/banda ou daquele estilo. Este disco fez mais. Me fez querer SER Leonard Cohen. Como dizia um dos comentários num vídeo dele no YouTube: "como é possível que um homenzinho baixinho com 74 anos possa ter tanto carisma? E a voz, meu Deus, aquela voz!"

#2 - John Mayall: Tough - John Mayall é um desses artistas veteranos que, de tão veteranos, a gente, que é mais novo, nem conhece. Ainda mais se você não for muito aficionado ao blues. Mas o fato é que a carreira do britânico John Mayall já passa dos 50 anos, e o senhor de 76 anos exibe ainda uma excelência e energia invejáveis a muitos músicos mais jovens que ele. O que deve incluir a maioria dos músicos de blues em atividade. O nome do disco diz muito: nada de pijama e pantufas para John Mayall, ele continua um cara durão (tough). Considerado um mestre por gente como Eric Clapton e Peter Green, o guitarrista blueseiro mostra em Tough porque merece ser alvo de tantos elogios.

#1 - Bob Dylan: Together Through Life - Muita gente não gostou. Acharam pouco. Alguns críticos torceram o nariz. A voz de Dylan já foi comparada à de "um sapo com laringite". Mas dane-se, ainda é Bob Dylan! E em ótima forma. Ignorando (criminosamente, eu sei) o contexto histórico e a cena musical vigente agora e na época, pode-se dizer que Together Through Life não fica devendo nada aos discos que fizeram de Dylan a lenda viva que é hoje. Não é um disco revolucionário, não tem uma mensagem política, a contra-cultura já acabou (?), o folk e o rock'n'roll cederam espaço para o blues na música de Dylan, e ainda assim, não há uma música ruim no álbum. Mas porque deveria haver? Por ser um disco com influências do blues, fora do habitual para aquele Dylan histórico? A marca de um grande artista é justamente conseguir fazer o melhor em qualquer situação, e é isso que Dylan faz nesse álbum. Assim como hoje eu escuto Highway 61 Revisited após mais de 40 anos do lançamento, esse é um disco que poderá ser apreciado sem reservas mesmo depois de muito tempo e muitas repetições.

Menções honrosas: Elvis Costello - Secret Profane And Sugarcane; Pomegranates - Everybody, Come, Outside (um excelente disco de indie rock); Nando Reis - Drês (a qualidade de sempre do Nando); e Iggy Pop - Preliminaires (apenas pelo inesperado de ouvir Iggy Pop cantando coisas como How Insensitive).

E essa é a minha lista! Assim que a minha hospedagem de arquivos de áudio parar de dar erro, eu atualizo uma playlist com o melhor dos melhores de 2009. Nos comentários, há uma lista com os outros discos concorrentes.

20 de dezembro de 2009

A inacreditável fanfarronice de Túlio Maravilha. E o exorcismo da sua praga maldita.

Eu sou botafoguense por herança de família, mesmo sem nunca ter posto os pés no Rio de Janeiro. Apesar de não acompanhar futebol tanto quanto gostaria, como todo bom botafoguense, eu tenho um grande respeito (e por que não dizer gratidão?) pelo Túlio. O Túlio. O Túlio Maravilha.
Ídolo do Botafogo de 95 e herói da conquista do campeonato brasileiro do mesmo ano, Túlio já está há alguns anos afastado do futebol de elite, jogando em clubes de segunda ou terceira divisão, e hoje é conhecido mais pelos feitos do passado e pelas frases hilárias que ocasionalmente solta.
Vale lembrar que o Túlio já foi três vezes artilheiro do campeonato brasileiro, já fez gol de mão contra a Argentina, e já decidiu o mais importante campeonato do país com um gol em uma escandalosa posição de impedimento. E também já posou nu pra G Magazine, em 2003. Dizem. Eu não vi. Não compro a revista. Não acreditem no que dizem. Aquele dia na banca eu só errei de seção, e... bem, deixa pra lá. Hoje, Túlio é vereador na cidade de Goiânia (sendo o segundo mais votado - dizem que teria sido o primeiro, se não tivesse perdido um pênalti na véspera da eleição), e aparece mais na mídia por ser um falastrão incorrigível.
Entre as diversas frases célebres, as comparações com ídolos do passado são as mais frequentes. Em 2007, ao falar do atacante Dodô no Botafogo, soltou a pérola: "Ele vem jogando muito bem e só vestir a camisa 7 do Fogão, que foi minha e de Garrincha, já é meio caminho andado". E esse ano ele disse a mesma coisa sobre o atual centroavante do Fogão: "O Reinaldo está no caminho certo, no clube certo e com a camisa certa". Sim, Reinaldo joga com a 7. E disse mais: "O Reinaldo começou muito bem. Depois dessa declaração se referindo a mim, tem 99% de chance de ser o artilheiro do Campeonato Carioca. Vou mandar para ele um DVD com meus gols para ter ainda mais inspiração." Túlio já falou que ia fazer um gol anticoncepcional, e já disse que vencer o Gama era "igual a empurrar bêbado na ladeira".
Mas nem tudo é graça no que sai da boca de Túlio. Ano passado, depois do Botafogo perder a segunda final consecutiva do campeonato carioca perante o Flamengo, o jogador disse em uma entrevista que o técnico do Glorioso era pé-frio. E disse também: "Não adianta, para vencer, tem que ter estrela. (...) Do jeito que o Botafogo anda, só vai levantar troféus de novo quando eu voltar para o clube". Entenderam o que aconteceu? Túlio jogou uma praga no Botafogo! Não satisfeito, ainda reforçou no fim do ano: "Do jeito que estão as coisas aí, a gente só vai viver dessa lembrança de 1995."
E o próprio Túlio acredita nessas coisas. No começo do ano passado, ficou sem fazer gols por 4 jogos, e correu pra igreja: "Eu estava com muito olho gordo, ciúme e inveja. Então pensei: está na hora de cuidar do espírito. Fui à sessão de descarrego na igreja para quebrar esta macumba, este encosto."
E se no Brasil existe um torcedor supersticioso, é o botafoguense. Tanto que três meses depois da praga, com o Botafogo penando no brasileirão, o então presidente do Botafogo foi conversar com o Túlio para que ele voltasse para o time em 2009! Tarde demais. Túlio já era candidato a vereador, e só iria para o Botafogo se não conseguisse se eleger. E conseguiu. Nesse intervalo, o Botafogo perdeu mais uma final de campeonato carioca para o Flamengo.
E se Maomé, digo, se Túlio não pode sair de Goiânia, a solução é inventar um novo Botafogo mais próximo do nosso herói linguarudo. Agora já estamos em julho de 2009, temos um Botafogo no Distrito Federal, e ainda não temos Túlio, vejam bem! O Fogão estava orbitando a zona de rebaixamento desde o início do brasileirão. Em agosto, com o Botafogo ainda penando na parte de baixo tabela, eis que o Botafogo-DF contrata Túlio Maravilha! Não que isso tenha resolvido muita coisa, o time continuou apanhando até a última rodada do campeonato, mas graças à uma benção ungida por Túlio Maravilha, conseguiu evitar o descenso.


Abençoa, Senhor, o Botafogo, Amém!

Pois é, gente, a palavra de Túlio tem poder. Rumo ao milésimo gol, o maior artilheiro do mundo em atividade pode não ser mais um jogador de elite, mas como profeta...

12 de dezembro de 2009

Playlist #1

Como eu disse dois posts atrás, eu estava testando um elemento novo pra colocar aqui no blog. Já está aí há uns dois dias, mas só agora eu resolvi comentar: agora temos um player de áudio. Não se preocupem, ele não vai começar automaticamente, então, caso você tenha interesse em escutar um som bacana enquanto lê o blog ou navega por aí, é só clicar no player aí do lado direito da página. Se não quiser, não muda nada.

Periodicamente, eu vou trocar as músicas, mas não vou estabelecer uma frequência muito certa. Inicialmente, eu estava pensando em uma reposição semanal, mas dá trabalho demais ficar fazendo upload toda semana, além de ter que escolher as músicas. Sem contar que a única coluna semanal que temos (por enquanto), o Top de 5ª, anda meio relapsa ultimamente. Então, a princípio, as playlists serão mais ou menos quinzenais.

A cada troca, vou publicar um post com a lista de músicas selecionadas, e vou também mover o player anterior para o post correspondente. Talvez eu explique a escolha. Talvez não.

No momento, a nossa playlist de estréia se deve ao fato da minha esposa estar escutando essas músicas enquanto eu testava o player. Nada demais. São 6 músicas pinçadas do disco auto-intitulado da infelizmente extinta banda Ben Folds Five, de 1995.

Playlist #1:
1 - Jackson Cannery - Ben Folds Five
2 - Philosophy - Ben Folds Five
3 - Julianne - Ben Folds Five
4 - Alice Childress - Ben Folds Five
5 - Uncle Walter - Ben Folds Five
6 - Best Imitation of Myself - Ben Folds Five

É isso. É uma lista bem curta, mas como teste já está bom.

8 de dezembro de 2009

O mundo visto através das propagandas

A publicidade está em todo canto hoje em dia. Até na roleta da catraca do metrô, ou nos degraus das escadas dos terminais de ônibus. Boa parte da nossa programação televisiva é preenchida por comerciais. Assim, se a nossa civilização por acaso se extinguir de repente, eu não me admiraria se, para a compreensão do nosso tempo, uma das principais fontes para os arqueólogos do futuro fossem as propagandas. O que os levariam a algumas conclusões bastante interessantes. Imagino algo assim: no início do século XXI...

  • A limpeza dos vasos sanitários era alvo de extrema preocupação. Tanto pela quantidade de produtos no mercado quanto pelo investimento em propaganda.


  • Carros eram extremamente caros e só as pessoas realmente bem sucedidas ou fisicamente atraentes podiam comprar um.
  • Os perfumes tinham efeitos alucinógenos, e os fabricantes usavam os efeitos psicotrópicos para atrair a clientela.


  • As bebidas alcoólicas eram consumidas em maior quantidade pelos homens, por terem a capacidade de atrair as fêmeas da espécie
  • As famílias eram todas nucleares, tradicionais, e a relação entre pais e filhos era sempre ótima.
  • Os serem humanos viviam em guerra constante para manter a supremacia no planeta contra outras espécies ameaçadoras: os insetos.



  • Abdominais eram a forma de exercício mais praticada em todo o mundo.
  • Os celulares nunca falhavam.
  • Os cartões de crédito eram gerenciados por ONGs, cujo objetivo era realizar os sonhos das pessoas.
 Eu pensei em fazer uma outra versão, "o mundo visto através do youtube", mas a coisa lá é tão insana e tosca que só pode ser o mundo real mesmo. 

    Um pequeno post geek

    Caso você, leitor menos atento, não tenha percebido, agora o blog realizou o sonho do favicon próprio. Tá vendo essa imagem que fica à esquerda do nome do blog na aba do seu navegador? Pois bem, esse é o favicon, e agora é um pedaço da logo do blog, em vez do B padrão do blogspot. Não que isso vá mudar grande coisa, mas é um desses detalhezinhos que ajudam a incrementar a página. Uma frescurinha de nerd.

    Mas, caso você seja nerd e fresco, e queira colocar um favicon personalizado no seu site, vou deixar aqui o link da página do Dicas Blogger que me deu todas as instruções necessárias pra dar vazão à minha veia geek.

    Nos próximos dias eu vou testar um outro elemento novo aqui, então não estranhem se derem de cara com o blog bagunçado.

    3 de dezembro de 2009

    Top de 5ª - Top 5 Tipos de pessoas que mais me irritam

    Andei furando as últimas semanas, não tenho estado muito inspirado para listas. Pra não perder o costume, saquei do meu velho caderninho de anotações uma lista já antiga, que eu fiz quando estava ameaçando voltar a escrever.

    Eu não sou o tipo de sujeito irritadiço. Vejo o mundo com um certo pessimismo - tá, não chego a ser um Saramago, mas sou bem pessimista - mas geralmente sou mais do estilo Let it be. Ainda assim, existem algumas coisas e, principalmente, pessoas que me fazem descer rápido a um estado de irritação profunda. É como kryptonita: quanto maior o tempo de exposição, mais baixo eu desço. Aí vão elas, as kryptonitas do meu estado zen, da que age mais devagar para a de ação mais rápida:

    #5 Gente superior intelectualmente - Não que eu odeie o Stephen Hawking, ou o Lewis Mumford, eu preciso deixar um pouco mais claro: eu me irrito com gente intelectualmente superior que sabe disso e faz questão de demonstrá-lo. Às vezes nem é preciso que o cara seja tão inteligente assim, basta fingir que é, com competência. Em resumo, eu me irrito com gente com habilidade para ser um bom P.I.M.B.A. Eu preciso admitir: eu sou um cara vaidoso. Posso não ser um gênio, mas não estou entre os mais burros que eu conheço, e tenho orgulho disso. Quando eu me deparo com um cara desses, meu orgulho fica ferido, porque 1) eu não sou mais inteligente que ele; ou 2) ele parece mais inteligente que eu. Ainda bem que até hoje eu só conheci uma pessoa assim - e depois de um tempo longo de exposição, acabei atirando uma lata de refrigerante na cabeça dele.

    #4 Gente ignorante que se acha intelectualmente superior - esse caso é muito pior, porque geralmente a pessoa é tão burra que não consegue compreender o quão burra ela é, e acha que os outros é que são os asnos. O irritante é que é impossível argumentar com uma pessoa dessas, sobre o que quer que seja. A discussão sempre vai para um beco sem saída do tipo "porque é assim e pronto" ou "porque deus disse que". E como não há argumento racional contra premissas imutáveis (ainda que errôneas) a criatura sai com aquela cara de triunfo, achando que ganhou a discussão.

    #3 Gente boçal que se dá bem sem fazer esforço enquanto você se ferra tentando fazer as coisas bem feitas. Às vezes por serem bem nascidos, às vezes por terem bons contatos, às vezes por dar sorte. Mas as piores vezes são quando o prêmio vem pela mediocridade. O mundo é um local medíocre por definição. Não existe grupo de pessoas mais numeroso que o dos medíocres. Dentre estes, um subgrupo muito representativo é o dos medíocres que não se acham medíocres - e eles sempre se reconhecem. E também não se acham medíocres uns aos outros, de modo que temos toda uma classe de gente medíocre se considerando acima da mediocridade geral, caindo nas graças de outros medíocres por fazer um trabalho medíocre (quando não no limite mais baixo da mediocridade), que aos medíocres olhos parece algo absolutamente excelente. Patético.

    #2 Gente que joga lixo na rua - é algo tão simples, todo mundo já ouviu isso: jogue o lixo no lixo; se não houver lixeira por perto, espere até encontrar alguma. De tanto falarem nisso, é impossível que a pessoa não se toque que está sujando um espaço que ela também usa. O que nos leva a outra característica inerente a esta criatura desprezível: ela não se importa com a sujeira. Ela acha algo natural circular por uma rua cheia de flyers "Compro Ouro", e nem nota quando as ruas estão limpas após a passagem dos garis - pagos com dinheiro do contribuinte para fazer um serviço que não precisaria ser feito se as pessoas fossem mais educadas. Toda vez que eu vejo alguém jogar um pacote de biscoito pela janela do ônibus, eu aperto a barra com mais força e solto um grunhido surdo, pra não ceder a uma sanha assassina, agarrar o sujeito pelo colarinho e estapeá-lo até a morte no melhor estilo pede-pra-sair.

    #1 Gente que circula pela rua com o som do carro no volume máximo - mereceu o primeiro lugar por três motivos. Primeiro, pelo mau gosto. Nunca ouvi ninguém sair com o carro "trincando vidraças" ouvindo Chopin. Ou mesmo Beatles. Não, é sempre um rap/hip-hop de péssima qualidade, um remix da moda - que inevitavelmente vai ter a "assinatura" do DJ responsável no meio (DJ Tibúrcio - é P-p-p-p-pancadãããão!) ou o último sucesso de axé ou sertanejo. Em segundo, pela poluição. Não apenas sonora. Ou vocês acham que quem põe o som do carro em volume de abafar trio elétrico está indo visitar a tia no hospital? Não, senhoras e senhores, ele está passeando! Circula pelas ruas bem devagar, para exibir a potência do panelão no porta-malas do chevette (sendo que com o investimento no som ele poderia tê-lo trocado por um carro melhor, mas ok), e não contente em passar uma vez, o meliante vai e volta várias vezes pela mesma rua, inundando a atmosfera com monóxido de carbono. E em terceiro, mas principalmente, pela invasão. Eu me importo com a rua suja, com os P.I.M.B.A., com os ignorantes e com as injustiças do mercado de trabalho, mas disso tudo eu posso me refugiar em casa.
    O panelão do maloqueiro no chevette é algo de que eu não consigo fugir. Um dia eu ainda arrumo um bodoque pra ficar na janela dando bordoada nesses malditos!
     
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