5 de novembro de 2009

Top de 5ª - 5 coisas involuntariamente assutadoras


Um dia desses eu estava num corredor mais pobrinho do shopping daqui de Uberlândia (só tem um que realmente conta), e nele há uma loja de artigos religiosos. Na vitrine dessa loja, entre outras coisas, havia uma estatueta de São Sebastião. Eu sempre achei imagens religiosas assustadoras, e a de São Sebastião a mais medonha de todas, e isso de inspirou a um top daquelas coisas que não deveriam dar medo, mas dão.

#5 - Palhaços - Não sei se o exemplo que eu peguei é o melhor, afinal, esse foi um palhaço feito pra dar medo mesmo, mas sei de muita gente que tem medo dos palhaços comuns. Um amigo meu tem medo de palhaços e de mímicos, o que faz do Ronald McDonald o auge do terror pra ele. Na maior parte das vezes, a imagem que me vem à cabeça é a daqueles palhaços de circo itinerante, o que talvez explique a aura assustadora que geralmente acompanha ciganos e outros nômades. Sem contar que me parece uma vida bem deprimente (um pouco de preconceito aqui, ok). Me lembro de um episódio dos Simpsons em que o Homer faz uma cama para o Bart em formato de palhaço. O coitado fica quase psicótico tentando não dormir pra não ser devorado pela cama medonha.

#4 - Japoneses
Não sei se é porque eles parecem sérios demais, e por isso ficam mais assustadores quando não estão sendo sérios. Ou se os olhos puxados parecem estar permanentemente estudando um modo de atacar. Não me levem a mal, eu tenho um grande respeito pela cultura japonesa, e até acho que eles estão corretos em não ter muitos costumes nos quais nós, ocidentais, insistimos (encostar nas pessoas pra cumprimentar, por exemplo). Mas os filmes de terror orientais comprovam que não precisa muito pra fazer um japonês dar medo, um pouco de cabelo na cara já basta. E se for criança, então...

E o que dizer em câmera lenta? Genial o vídeo, só precisa ignorar a música

#3 - Imagens sacras - Muitas foram feitas para aterrorizar os fiéis, eu sei, mas de modo geral a iconografia das imagens sacras é baseada em símbolos de algo que os santos fizeram ou disseram, de modo a condensar a história no seu ponto mais alto. Dessa forma, nada mais natural que representar São Sebastião no auge do seu martírio, ou ainda insistir na imagem do Cristo crucificado. Mas que todo aquele sangue, flechas e espinhos são medonhos, ninguém pode discordar. Eu lembro de uma vez, quando eu estudava em uma escola católica e tinha uns 7 anos, a turma toda foi na igreja ao lado da escola e entramos na sacristia. Numa salinha vazia, tinha "alguma coisa grande" coberta com um pano. Quando eu levantei uma pontinha pra ver o que era, tinha um cristo crucificado, em tamanho natural, e bem a parte que eu levantei era a cabeça dele, com coroa de espinhos, sangue, cara de sofrimento e olhando pra mim. Olhando pra mim! Aquela imagem me perseguiu por vários dias (e noites!).
Talvez a fé seja um fator a mais a ser considerado, porque na tradição católica, todas essas pessoas só estão lá pra te julgar. Outra imagem que eu tinha medo era a do cristo pantocrátor (aquele com a mãozinha em posição de julgamento), mas nada me assustava mais quando criança do que as imagens de um cristo benevolente e acolhedor me chamando pra si. Parecia uma anunciação de que eu estava pra morrer.

#2 - Pessoas muito musculosas - Isso é mais uma daquelas coisas pra assustar criancinhas. Do tipo "olha como você vai ficar se não comer a salada". O medo nem é pela possibilidade de levar uma porrada de um cara desses, é muito mais pelo caráter de quase auto-mutilação hipertrófica que esses fisiculturistas obsessivos impõem ao seu corpo. Você já teve medo de alguém sem um olho? Ou com uma narina só? É mais ou menos essa a sensação, com o bônus da bizarrice da voluntariedade da coisa.

#1 - Bonecas - Oh, rapaz... quanto mais realistas pior. Eu acho que tem um componente de síndrome de encarceiramento muito grande aqui. Explico: ao ver uma boneca que parece humana (ou com olhos muito vivos), têm-se uma certa empatia, e a base da empatia é a possibilidade de se imaginar no lugar do outro. Essa é uma característica inerente ao ser humano, é o que nos faz ser solidários e manter a continuidade da nossa espécie. E o medo deriva da imaginação de estarmos presos no corpo de uma boneca, imóveis, mas conscientes. Talvez seja um grilo só meu, talvez não, mas um dos grandes terrores da minha infância era quando a velhinha do filme Conveção das Bruxas conta a história de uma menina que foi aprisionada num quadro.
E também sempre há a possibilidade de uma delas sair andando e te atacar à noite. Acho que isso é uma espécie de culpa coletiva pela forma com que a gente maltratava os nossos brinquedos, associadas à nossa tendência à prosopopéia. Contando todas as lendas urbanas associadas a bonecas, contando os filmes de Brinquedo Assassino até Toy Story, a cultura pop está recheada de medo por esses objetos inanimados (será?).

4 comentários:

Diogo de Lima disse...

Isso deveria ter sido um post de Halloween, mas como eu estava ocupado na época, acabei deixando passar essa.

Flavia disse...

O primeiro lugar me lembrou daqueles bebês reborn, que andam na moda... daquilo eu tenho MUITO medo!

FABI disse...

Eu morria de medo de boneca quando era criança, mas era só de noite. Acho que eu imaginava que a noite elas eram más. Tinha um armário com a porta empenada, a porta abria sozinha e eu via aquela boneca medonha lá no fundo me olhando. De dia, não tinha coragem de me livrar dela, ela parecia tão indefesa...

FABI disse...

e tinha medo dessas imagens sacras tambem, quando ia na casa da minha vo.
Mas a Falvia ta certa, tem que adicionar esses "reborn" no top5, sao pavorosos!

 
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