26 de novembro de 2009

O que é ser brasileiro

Passei esse fim de semana na casa de um amigo meu, e domingo ele pôs pra tocar o disco The Life Aquatic Studio Sessions, do Seu Jorge. Pra quem não sabe, lá pelos idos de 2004, Seu Jorge gravou a trilha sonora do filme The Life Aquatic with Steve Zissou, que eu não vi, mas pretendo. E a tal trilha sonora é composta apenas por versões em portugês das músicas do David Bowie. A esta altura, você deve estar pensando: "Seu Jorge adaptando Bowie para português? Lá vem." E vem mesmo, mas me adianto.

Eu estou comentando isso porque, coincidentemente, nesse mesmo fim de semana o meu irmão comprou uma revista BIZZ de 2006 no sebo, que tem a avaliação do disco que ele lançou contendo as versões que entraram e que não entraram na montagem do filme. A nota sobre o disco dizia assim:
"Um disco preguiçoso, pouco inspirado e com letras contrangedoras (...). E foi como falso malandro que Seu Jorge levou essas sessões: qualquer telecoteco levado naquela língua exótica é cool e vira bossa [pra gringo que paga uma fortuna por uma havaiana]. Ou seja: é um legítimo disco chinelão!"

Ok, embora eu ache que se quiserem prender o Seu Jorge pelos seus crimes, deveriam pegá-lo por aquela versão daquela música gringa chatíssima (e levar a Ana Carolina como cúmplice), eu não vou ficar defendendo o Seu Jorge: eu também tenho as minhas ressalvas por ele transformar Rebel Rebel em Zero a Zero, ou cantar em Changes: "Lá vem meu trem. To saindo fora porque eu vou me dar bem".

Mas vamos contextualizar: os produtores queriam dar um "tempero brasileiro" ao filme. Tanto que o personagem do Seu Jorge (ele faz uma ponta) se chama - vamos lá, negão, brasileiro... - Pelé dos Santos. E brasileiro é um povo chinelão por natureza. Eu sei que muito fã xiita deve ter ficado de mimimi "ele destruiu as músicas", mas brasileiro é assim mesmo, não é? Nada é sagrado, nada é levado a sério, e qualquer coisa rende uma boa piada, ou ao menos um sambinha.

Nada mais brasileiro que pegar o ritmo das músicas de um cara tão cultuado como o David Bowie e refazê-la como se não fosse nada, da forma mais cara de pau e despretensiosa possível. Uma das maiores expressões de brasilidade que eu conheço é a música Tarde em Itapuã, da dupla Toquinho/Vinícius. Um velho calção de banho, passando a tarde na praia sem ter muita coisa com que se preocupar.

Somos indolentes, levamos muito pouca coisa a sério, temos uma tendência absurda para a iconoclastia galhofeira, e gostamos de vida mansa. Mas quem não quer levar a vida assim? Quem não quer passar a tarde na praia numa esteira de vime tomando água de côco? Quem não quer ser brasileiro?

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