27 de outubro de 2009

E a vida imita... o que mesmo?

Vi uma notícia hoje na UOL que me trouxe uma série de lembranças de fatos e filmes e notícias, e filmes baseados em fatos que foram notícia. Bem, a história é a do vídeo abaixo:



Pra você que não teve paciência de esperar o vídeo carregar e assistir, eu explico: esse alemão, não muito normal, pelo que se vê no vídeo, conheceu uma brasileira e veio pra cá pra conhecê-la. Deixa eu brincar de adivinho - a gente sabe como é brasileiro, fala "vai lá em casa um dia desses" e fica torcendo pra você nunca aparecer, pode ter sido o caso desse alemão, só que numa escala internacional, e... bem, nem é sobre isso que eu ia falar. Voltando ao trilho da conversa, o tal sujeito resolveu que não ia voltar pra Alemanha, e agora está morando no aeroporto. Sim, todos nós lembramos de O Terminal. E O Terminal é baseado em uma história real. O que faz desse um daqueles casos em que "a vida imita a arte que imita a vida", um desses clichês dos quais a gente sempre desdenha até ver alguma utilidade.

Eu poderia citar também Clube da Luta e dizer que "tudo parece uma cópia de uma cópia de uma cópia", mas aí eu me lembro esse foi o filme que o Mateus Meira invadiu com uma metralhadora e depois tentou alegar insanidade por estar obcecado pelo Duke Nukem - mais um caso vida-imita-qualquer-coisa?
O que realmente me chama a atenção é que semana passada tivemos um outro caso desses! Um casal de namorados adolescentes resolveu deixar os pais malucos fugindo pra "viver por aí", inspirados por Na natureza selvagem, filme que eu não vi, mal sei do que se trata, e parece ser mais uma fantasia riponga/mochilão/vidaloca.
E (só mais uma) ano passado tivemos mais um doido tentando reprisar uma cena do GTA: um tailandês quase matou um taxista pra ver se roubar um taxi "era tão fácil como no jogo".

Não sei exatamente o que está acontecendo com as pessoas, mas eu achava que a vida, mesmo com toda a sua banalidade, tem seus momentos insólitos, tensos, perigosos, divertidos. Eu não duvido do poder da ficção, acho que a literatura, cinema e a dramaturgia de modo geral tem o seu papel a cumprir pra suprir a quantidade de encanto, magia, romance ou aventura que a vida real não tem - ao menos não na mesma medida da imaginação. Mas porque as pessoas resolveram achar que precisam  viver isso de verdade? A vida é tão enfadonha? O mundo se tornou um lugar tão chato assim? E o mais estranho: parece que agora qualquer fantasia serve. Tudo bem você fantasiar que é um intelectual bonitão que roda o mundo atrás de relíquias históricas e ainda salva o dia, mas quem é que diz "mamãe, meu sonho é morar no aeroporto"? Quem aí já descreveu o emprego dos sonhos como "testador de viabilidade real de eventos violentos em vídeo-games"? Eu já imaginei o que faria num cenário de apocalipse zumbi, mas isso não me faz querer sair por aí exterminando gente contaminada pela gripe A.

Talvez seja a eficiência extrema da ficção atual que esteja fritando o tutano das pessoas. A arte tem imitado a vida de modo tão convincente que se torna mais viva que o nosso mundinho real e cotidiano. Perto da suculência da vida dos filmes e novelas, o nosso mundo parece uma sopa velha e aguada. É hora de pararmos de olhar para as telas com tanta avidez e prestarmos mais atenção no mundo que nos cerca, e nos espantarmos com as coisas que estão lá, à espera de serem vistas. Afinal de contas, nessa história de ovo/galinha, no começo foi a arte que imitou a vida, antes da vida imitar a arte.

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