21 de outubro de 2009

Bonner, Bonner...

Sapeando pelos canais da TV, me bati com uma entrevista que a Marília Gabriela fez do William Bonner, acabou de acabar (sempre adorei essa repetição). Peguei a entrevista do meio pro fim, não teve nada demais, nenhuma revelação bombástica, talvez eu a veja inteira depois. Provavelmente não vou fazer isso, mas fico curioso mesmo assim. Bem, lá vai: eu não sei se eu já externei isso, acredito que sim, mas eu tenho um respeito muito grande pelo Bonner. O sujeito é editor-chefe do JN há eras, e eu tenho certeza que essa não é uma posição pra qualquer um, e não é garantida simplesmente por ser um bom âncora, mas não é isso que me chama a atenção. O fato dele manter o tempo todo a sua humanidade bem visível aos olhos de todos que estiverem atentos pra ver é o que faz do Bonner um cara diferente. A ponto de ser tratado assim, "o Bonner", por gente que nem o conhece pessoalmente. Eu não sei definir exatamente por que eu tenho essa impressão, mas me parece mais fácil imaginá-lo chegando em casa e dando bronca nos filhos do que seria com a Ana Paula Padrão, ou o Didi, ou o Brad Pitt, ou o Kleber Bambam. Sei lá. Ele me parece gente, é só.

Acabei me desviando, porque o que eu realmente queria comentar é que, como é tradição, a Gabi pediu a ele uma frase pra encerrar a entrevista, e ele puxou da memória um trecho de um poema do Drummond que eu li uma vez, achei o máximo, depois de anos tentei encontrar de novo, mas não lembrava de uma linha pra digitar direito no google, e já tinha até desistido. Aqui está ele:

Quero
Carlos Drummond de Andrade                                                                       
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

Obrigado, Bonner!

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